Governo adia pela 2ª vez leilão da ferrovia Norte-Sul

O governo federal adiou pela segunda vez em uma semana o leilão de subconcessão da Ferrovia Norte-Sul - um dos maiores projetos de infra-estrutura do País, orçado em mais de R$ 4,5 bilhões. O evento estava marcado inicialmente para o dia 6 de setembro, na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), mas foi adiado para o dia 13, quarta-feira. Mas ontem a Bovespa informou que o leilão foi adiado novamente para o dia 4 de outubro.Por coincidência, o anúncio do novo adiamento saiu pouco depois do prazo para o depósito de garantia das empresas que participariam do leilão. Estavam pré-qualificadas a Companhia Vale do Rio Doce, a ARG Ltda e a Alvorada Serviços de Engenharia Ltda. Mas, segundo informações, nenhuma fez depósito das garantias ontem, o que teria obrigado o governo a adiar mais uma vez o leilão.Circula pelo setor que o modelo desenhado para a subconcessão não conseguiu empolgar os investidores, pois as exigências são altas demais diante do retorno previsto no contrato. O leilão de subconcessão da Norte-Sul está sob o comando da estatal Valec Engenharia, Construções e Ferrovias - responsável pelo projeto da estrada de ferro, lançada há 20 anos, durante o governo de José Sarney. De acordo com o modelo de subconcessão, o vencedor terá o direito de operar durante 30 anos um trecho de 720 quilômetros (km) entre Açailândia (MA) e Palmas (TO). Além disso, caberá à empresa ganhadora a conservação, manutenção, monitoração, melhoramentos e adequação do trecho ferroviário.O preço mínimo para arrematar esse lote é de R$ 1,48 bilhão. A construção da estrada de ferro continuará nas mãos do governo federal, mais especificamente nas mãos da Valec. A empresa já construiu 225 km de ferrovia, entre Açailândia (MA) e Aguiarnópolis (TO), hoje operado pela Vale do Rio Doce. O trecho entre Aguiarnópolis e Araguaína, de 133 km, está em construção. Já os 361,5 km entre Araguaína e Palmas serão feitos pela Valec com o dinheiro obtido no leilão de subconcessão. A expectativa é terminar esse trecho até dezembro de 2007, segundo a Modelagem do Processo de Subconcessão.No total, a Ferrovia Norte-Sul terá 2.200 km e vai de Belém, no Pará, até Senador Canedo, em Goiás. "A estrada está 20 anos atrasada. Se estivesse pronta, estaria trazendo vários benefícios para a agricultura", afirma o diretor da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF), Rodrigo Vilaça. Segundo ele, além de levar desenvolvimento para a região, a obra vai melhorar o escoamento de produtos, como grãos, farelos, fertilizantes, açúcar, álcool e algodão, entre outros.

Agencia Estado,

12 de setembro de 2006 | 12h34

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