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Governo escolheu hora errada para mexer no câmbio, dizem analistas

O momento escolhido pelo governo brasileiro para sinalizar mudanças em algumas normas para exportadores que afetam o câmbio e anunciar que pretende abater alguns investimentos da meta de superávit primário - uma regra acertada com o FMI ainda na gestão de Antonio Palocci na Fazenda, mas que nunca foi aplicada - foi considerado infeliz por alguns investidores. Eles afirmam que, embora as novidades - que ainda precisam ser confirmadas - não estejam tendo um impacto perceptível sobre os ativos do País e não sejam vistas como uma ameaça aos fundamentos da economia brasileira, servem para adicionar uma pitada de incerteza justamente num momento em que os mercados globais enfrentam a sua maior onda de volatilidade dos últimos tempos. "Os ativos do Brasil e de outros emergentes estão sofrendo por causa de uma correção global nos mercados", disse o diretor de um banco espanhol. "Mas falar em mudanças numa hora dessa não cai bem principalmente entre os investidores mais apavorados, que não são tão poucos assim." A dissonância entre os discursos do ministro da Fazenda, Guido Mantega, e do presidente do BC, Henrique Meirelles, sobre o relaxamento das normas para os exportadores ajuda a gerar alguma inquietação entre os investidores. Enquanto Mantega as relaciona diretamente com a necessidade de se enfraquecer o real, Meirelles ressalta que elas se encaixam no esforço do BC em modernizar as regras cambiais do Brasil. O chefe do departamento de pesquisa de países emergentes do banco HSBC, Phillip Poole, ressaltou que a volatilidade nos mercados está sendo causada pelo temor da alta dos juros nos Estados Unidos, Japão e União Européia. "Como os preços dos ativos dos emergentes tinham sido os mais excessivamente valorizados nos últimos tempos, eles estão sendo mais penalizados nessa correção", disse Poole. Mas, segundo o analista, no topo dessa onda de ajustes nos mercados, alguns investidores parecem que estão finalmente percebendo que houve recentemente uma mudança no comando da equipe econômica brasileira. "A substituição do Antônio Palocci por Guido Mantega foi um evento significativo, mas os mercados praticamente a ignoraram na época", disse Polle. "Agora, podem estar de certa maneira resgatando a mudança e reavaliando suas conseqüências." No entanto, Poole considera que o Brasil continua sendo um dos países emergentes mais atraentes por causa de sua elevada taxa de juros e a atual política econômica. Ele observou que os sinais de um ligeiro relaxamento fiscal no Brasil não são novidade. "Isso já vem ocorrendo há algum tempo", disse. "Mas o superávit fiscal continua num faixa considerada saudável."

Agencia Estado,

23 de maio de 2006 | 07h00

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