Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Governo volta a captar no exterior e demanda chega a US$ 6 bilhões

Emissão de US$ 1,5 bilhão em bônus teve taxa de 5,875% ao ano; Tesouro considera 'muito apelo pelo papel', mesmo com a perda do grau de investimento do País

Adriana Fernandes, Cynthia Decloedt, O Estado de S.Paulo

21 Julho 2016 | 19h52

O governo federal voltou ao mercado internacional nesta quinta-feira, 21, e conseguiu levantar US$ 1,5 bilhão em bônus da dívida externa com prazo de vencimento de 30 anos, o Global 2047. A venda dos papéis do governo – a primeira do governo Michel Temer – funcionou como um teste para a mudança de humor do mercado em relação ao País. A demanda chegou a US$ 6 bilhões, quatro vezes superior ao valor vendido.

A opção do Tesouro Nacional em lançar um novo papel com prazo de 30 anos mostra também a intenção do governo em buscar uma referência de preços para os ativos com vencimentos mais longos que estão disponíveis no mercado doméstico. Essa referência de preços é considerada importante pelo Ministério da Fazenda no novo ambiente econômico, em que há expectativa de grande movimentação de negócios, após o julgamento do impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff.

A última emissão de um papel da dívida com esse mesmo prazo de referência foi feita em julho de 2014, quando o governo brasileiro emitiu US$ 3,55 bilhões do Global 2045, com taxa de retorno ao investidores de 5,131%. Essa captação ocorreu, no entanto, quando o Brasil ainda detinha o grau de investimento, o selo de bom pagador conferido pelas agências internacionais de classificação de risco. 

Agora, já sem o grau de investimento, o governo aceitou pagar uma taxa de juros maior, de 5,875%, mas a operação foi considerada bem-sucedida diante das condições atuais da economia. No ano passado, papéis de 30 anos do Brasil chegaram a ser negociados com taxa de 8%, refletindo o aumento de risco do País. 

Para o governo, a emissão mostrou que os investidores estão otimistas com a melhora da economia brasileira. As baixas taxas de juros no mercado internacional e a sinalização do Banco Central dos Estados Unidos, o Fed, de adiar o ciclo de aperto monetário também contribuíram para a demanda elevada. 

O Tesouro já tinha feito uma emissão externa este ano, em março, ainda no governo Dilma Rousseff, com um título de 10 anos. A estratégia do Tesouro foi a de se antecipar ao período de concentração de emissões soberanas, que ocorre tradicionalmente em setembro, após as férias do Hemisfério Norte de agosto. Nas férias, o mercado de bônus soberano fica praticamente parado. A emissão foi liderada pelos bancos Deutsche Bank, HSBC e Goldman Sachs.

Risco Brasil. As condições para essa emissão de títulos no exterior foram dadas com a queda do risco do País. Depois de ter atingido 550 pontos no início do ano, os contratos de proteção contra o risco do Brasil (CDS, na sigla em inglês) recuaram nos últimos dias para um patamar em torno de 280 pontos, menor nível em um ano. O governo considera que esse movimento se deve, mais uma vez, à antecipação, pelo mercado financeiro, da recuperação da economia.

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e o seu time de secretários intensificaram reuniões com investidores estrangeiros e nacionais ávidos sobre informações da agenda de ortodoxia econômica implementada pelo novo governo. A agenda conta com controle de gastos, privatizações, concessões e medidas para a melhoria da produtividade. / COLABORARAM RACHEL GAMARSKI E EDUARDO RODRIGUES

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