Grandes grupos entram na disputa por imóveis comerciais

Depois de apostar suas fichas na área residencial e de shopping center, a GP Investments acaba de fechar seu ciclo imobiliário com a criação de uma empresa para atuar somente no segmento de imóveis comerciais (escritórios, armazéns e lojas de varejo). Batizada de BR Properties, a nova empresa terá como sócios o Banco Safra e outros sete fundos de investimentos estrangeiros. A GP terá 30% de participação no novo negócio. O objetivo é investir US$ 100 milhões, principalmente na compra de imóveis já existentes, um sinal de que a empresa não quer perder tempo para estrear no setor. No mercado imobiliário, comenta-se que a BR Properties foi feita às pressas, para aproveitar a boa fase dos imóveis comerciais. No dia do anúncio da sua criação, ela ainda nem tinha a equipe inteira montada.A decisão rápida da GP em participar desse mercado é sintomática. Nos últimos tempos, iniciou-se uma corrida do ouro na área de imóveis comerciais. A criação da BR Properties é o quarto grande negócio anunciado nesse segmento em menos de 50 dias. Os valores envolvidos chegam a R$ 800 milhões. Todos eles foram feitos por empresários de peso. O último aporte antes do anúncio da GP, por exemplo, veio da São Carlos Empreendimentos, controlada por Jorge Paulo Lehmann, Carlos Alberto Sicupira e Marcel Telles, acionistas da InBev. Eles pagaram R$ 100,1 milhões por nove andares do Eldorado Business Tower, em São Paulo.O mercado imobiliário tem um comportamento parecido no mundo todo. Primeiro, surgem os investimentos residenciais. Na seqüência, vêm os comerciais. O mesmo vale quando o mercado desacelera.A razão é que as empresas tomam decisões a longo prazo, enquanto as pessoas físicas se animam quando mudam de emprego ou desistem de uma compra quando ficam mais pessimistas. ?Basta olhar a cronologia das aberturas de capital. Elas começaram com Gafisa e Cyrela?, diz Marcello Milman, analista do Banco Santander. A São Carlos foi um dos negócios mais recentes da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Em breve, a WTorre deve fazer a sua oferta na Bolsa. No dia 29 de dezembro, a construtora recebeu registro de abertura da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). ?Esse é o segmento mais sensível a juros. Agora, com juros em queda e a maior estabilidade da economia, a perspectiva de ganhos fica maior?, diz Milman. Além do cenário macroeconômico, há outra combinação favorável para os investidores. Existe uma demanda crescente por produtos no Brasil e um excesso de capital no mercado internacional - um bom exemplo é o desembarque recente do megainvestidor imobiliário Sam Zell no País.

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