Tingshu Wang/Reuters - 27/9/2020
Tingshu Wang/Reuters - 27/9/2020

Great Wall planeja investir R$ 10 bilhões para ter carro elétrico e baterias no Brasil

O montante inclui a adaptação da antiga fábrica da Mercedes-Benz e o desenvolvimento de fornecedores locais para que os carros fabricados no Brasil tenham índice de nacionalização de 60%

Eduardo Laguna, O Estado de S.Paulo

27 de janeiro de 2022 | 18h22

A montadora chinesa Great Wall Motor (GWM) anunciou nesta quinta-feira, 27, que seus planos no Brasil preveem investimentos de longo prazo da ordem de R$ 10 bilhões, meta de faturamento de R$ 30 bilhões daqui três anos e o lançamento apenas de veículos eletrificados. Os carros que o grupo automotivo vai vender no País a partir do fim deste ano serão híbridos - tecnologia que combina um motor convencional a combustão interna com outro elétrico - ou totalmente elétricos. 

Os investimentos da montadora no País serão divididos em duas fases. Como já tinha sido anunciado cinco meses atrás, na época da aquisição da fábrica que pertencia à Mercedes-Benz em Iracemápolis, no interior de São Paulo, os investimentos iniciais serão de aproximadamente R$ 4 bilhões. O montante inclui a adaptação da unidade e, como revelado agora, o desenvolvimento de fornecedores locais para que os carros fabricados no Brasil tenham índice de nacionalização de 60%.

Envolvendo também a criação de uma rede de postos de recarga de carros elétricos, essa primeira fase vai até 2025 e a expectativa é que sejam gerados até lá 2 mil empregos diretos na fábrica que será a maior operação industrial da Great Wall fora da China, com faturamento anual de R$ 30 bilhões.

Depois disso, virão outros R$ 6 bilhões entre 2026 e 2032, período em que está na pauta da montadora a produção, também, de baterias no Brasil. “Até poderemos ter produção de baterias no Brasil a depender das condições de mercado e de produção. O

Brasil tem minerais estratégicos que compõem a bateria. É muito possível que isso aconteça no segundo ciclo de investimentos”, adianta Pedro Bentancourt, diretor de relações governamentais da Great Wall. 

“A Great Wall não veio para brincar com tecnologia antiga. A tecnologia elétrica será trazida ao Brasil. Seremos a primeira montadora que só vai produzir carros eletrificados [no País]”, acrescenta o executivo. 

A 170 quilômetros da capital paulista, a fábrica de Iracemápolis passará por obras para alcançar capacidade de produção de 100 mil carros por ano, com arrancada das linhas prevista para os primeiros meses do ano que vem. A montadora decidiu que vai lançar apenas utilitários esportivos e picapes, segmentos que já representam mais da metade dos carros comprados por brasileiros.

Se tudo sair dentro do previsto, o primeiro carro produzido no Brasil será lançado no segundo semestre de 2023. Antes disso, contudo, a Great Wall começa a importar seus primeiros carros no País no quarto trimestre deste ano.

Até 2025, no primeiro ciclo de investimento, serão lançados dez modelos das marcas Haval, de utilitários esportivos urbanos, Tank (SUVs off-road de luxo) e Poer (picapes). Na segunda etapa do plano de negócios, a montadora pretende trazer a marca de carros elétricos premium Ora. 

Os carros híbridos que serão vendidos pela Great Wall no Brasil terão autonomia elétrica de 200 quilômetros - ou seja, serão capazes de percorrer essa distância sem a necessidade de acionar o motor a combustível (gasolina ou etanol).

Além de atender os consumidores daqui, a operação brasileira será uma base de exportação de veículos da Great Wall a mercados da América Latina. O Brasil está inserido no projeto de internacionalização que visa transformar a Great Wall num grupo automotivo com faturamento de US$ 95 bilhões e venda global de 4 milhões de veículos até 2025. Em 2021, a empresa comercializou 1,28 milhão de automóveis no mundo.

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