Grécia ainda preocupa e faz dólar subir após 3 quedas

Plano de Obama para o setor de saúde também contribuiu para azedar o humor das bolsas em parte do dia e manter a moeda apreciada

Taís Fuoco, da Agência Estado,

22 de fevereiro de 2010 | 16h54

Em um dia de poucas notícias, o dólar encontrou espaço para uma leve alta ante o real, depois de três quedas consecutivas na semana passada, diante, principalmente, da continuada apreensão com a Grécia. O plano apresentado pelo presidente dos EUA, Barack Obama, ao setor de saúde também contribuiu para azedar o humor das bolsas em parte do dia e manter a divisa americana apreciada. Ao término do pregão de hoje, o pronto da BM&F fechou em R$ 1,8091, com alta de 0,23%, enquanto a moeda no balcão subiu 0,22%, a R$ 1,8090, depois de oscilar entre a máxima de R$ 1,8130 e a mínima de R$ 1,7970. O giro financeiro em D+2 (liquidação em dois dias) projetado era há pouco de US$ 1,7 bilhão, ante os US$ 2,17 bilhões de sexta-feira.

 

"O patamar de R$ 1,80 passou a ser um piso psicológico para a moeda", afirmou um operador. Localmente, os números da balança comercial divulgados hoje foram positivos e mostraram a reversão do déficit da primeira semana. A balança comercial brasileira registrou um superávit de US$ 691 milhões na segunda semana de fevereiro (dias 8 a 14), segundo dados divulgados há pouco pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). No período, as exportações somaram US$ 3,661 bilhões, enquanto as importações totalizaram US$ 2,970 bilhões, com média diária de US$ 594 milhões. Já na terceira semana deste mês (dias 15 a 21), a balança comercial brasileira registrou um superávit de US$ 216 milhões, resultado de exportações de US$ 2,179 bilhões menos importações de US$ 1,963 bilhão. No ano, o resultado já é positivo em US$ 569 milhões, afastando a hipótese de déficit comercial no ano.

 

Além disso, os analistas mantiveram, na pesquisa Focus divulgada nesta manhã pelo Banco Central, a estimativa para o patamar da taxa de câmbio no fim de 2010. A mediana das previsões para a cotação da moeda norte-americana ao final de dezembro seguiu em R$ 1,80. Quatro semanas atrás, a estimativa para o câmbio no fim deste ano estava em R$ 1,75. Para 2011, a previsão para a taxa de câmbio seguiu em R$ 1,85. Há um mês, as estimativas dos analistas estavam em R$ 1,83. A mediana das previsões para a taxa média de câmbio no decorrer de 2010 subiu de R$ 1,83 para R$ 1,84. Para 2011, a estimativa de dólar médio foi mantida em R$ 1,83.

 

No mercado externo, entretanto, "a angústia com a Grécia continua" e deixa alguns traders bastante preocupados, segundo Paulo Petrassi, gerente de investimentos em renda fixa da Leme Investimentos. Enquanto muitos se mostram descrentes com a promessa do governo grego de colocar as contas públicas em dia no prazo de três anos, ainda não se tem clareza sobre um possível pacote de ajuda por parte dos pares na União Europeia. O governo grego planeja cortar o déficit público dos atuais 12,7% do Produto Interno Bruto (PIB) para 2,8%. A Comissão Europeia reforçou a pressão sobre a Grécia hoje, ao dizer que recebeu apenas respostas parciais do governo grego sobre uma série de acordos que podem ter sido usados para mascarar a dívida do país.

 

Petrassi concorda que a R$ 1,80 "o dólar está em um ponto de equilíbrio razoável agora" e avalia que a alta de hoje deve ser "pontual". Caso a Grécia se torne ainda mais motivo de preocupação, no entanto, ele alerta que isso pode pressionar o câmbio doméstico ao estimular maior aversão ao risco. As preocupações com o país europeu afetam o euro. Perto das 16h40, a divisa europeia era negociada a US$ 1,3601, queda de 0,14%, enquanto o dólar caía 0,36%, a 91,19 ienes.

 

Na última hora do pregão, o Banco Central fez sua intervenção diária no mercado à vista e adquiriu moeda à taxa de corte de R$ 1,8100.

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