Grécia deve emitir até 5 bilhões de euros em bônus

A Grécia precisará captar € 20 bilhões para pagar dívidas que vencem em abril e maio, de um total de mais de € 54 bilhões em títulos que tem de emitir este ano

Suzi Katzumata, da Agência Estado,

18 de fevereiro de 2010 | 18h16

Pressionado por um profundo déficit do setor público e contabilidade duvidosa do orçamento, a Grécia deve em breve testar o sentimento do mercado de bônus novamente com objetivo de cobrir suas necessidades de financiamento. O país tem planos de vender até € 5 bilhões em bônus de 10 anos o mais tardar na próxima semana, segundo fontes próximas à situação ouvidas pela Dow Jones.

 

Os observadores de mercado vão examinar atentamente a próxima emissão soberana de Atenas para ver com que dificuldade ou facilidade a Grécia pode refinanciar sua dívida com novos empréstimos. Até agora este ano, a Grécia captou € 13,6 bilhões através da venda de letras do Tesouro e bônus sindicalizados, segundo a Agência de Administração da Dívida Pública.

 

A Grécia precisará captar € 20 bilhões para pagar as dívidas que vencem em abril e maio, de um total de mais de € 54 bilhões em títulos da dívida que tem de emitir este ano.

 

Os países da zona do euro prometeram seu apoio à Grécia, mas até agora falharam em colocar dinheiro na mesa. A Grécia tem até 16 de março para começar a reduzir seu déficit orçamentário, com a União Europeia ameaçando intervir se Atenas não conseguir cumprir sua promessa.

 

"A UE quer mostrar que estão por trás dos países periféricos da zona do euro sem ter de colocar seu dinheiro onde é preciso", disse Jim Reid, analista do Deutsche Bank. "Tal comprometimento parece ser suficiente para estabilizar a situação no curto prazo, mas será suficiente para mantê-lo assim quando chegar o próximo momento de financiamento? Estamos preocupados que não será", acrescentou.

 

Os bancos de investimentos avaliam que os investidores provavelmente estarão cautelosos depois do péssimo desempenho da última emissão de bônus sindicalizados de 5 anos da Grécia. Os bônus perderam até 2,5% do seu valor logo após a emissão, em parte por causa da decisão de aumentar o montante da oferta para € 8 bilhões, de um volume inicial de € 3 bilhões a € 5 bilhões.

 

"Parte do motivo porque os bônus gregos não tiveram um bom desempenho é que a emissão foi grande demais", disse um banco europeu esta semana. Isto sugere que a Grécia vai ficar dentro dos limites de volume anunciados porque os compradores vão querer ter certeza que não vão sofrer uma repetição do fraco desempenho anterior.

 

Tais preocupações são equilibradas pelo fato de que outros tomadores de empréstimos soberanos em apuros mostraram que ainda é possível captar recursos nos mercados a um preço justo.

 

Portugal, também sob os holofotes devido à sua enorme dívida, passou por um importante teste de sentimento do investidor na semana passada quando conseguiu vender € 3 bilhões em bônus de 10 anos.

 

O governo da Espanha igualmente recebeu um importante suporte nesta quarta-feira quando sua emissão de € 5 bilhões em novos bônus foi bem recebida pelos investidores.

 

"As preocupações periféricas foram um tanto suavizadas pela cautelosa administração da emissão de € 5 bilhões em notes de 15 anos emitida pelo reino da Espanha", disse Puneet Sharma, do Barclays Capital. "Com um significativo volume de emissões esperados em 2010, a calma reação do mercado a esta emissão pode encorajar o lançamento de novas emissões", acrescentou.

 

As emissões de Portugal e da Espanha foram precificadas com um prêmio de ao redor de 0,1 ponto porcentual sobre os bônus existentes, muito menos do que o prêmio de 0,5 ponto porcentual pago pela Grécia na sua operação de janeiro. Os bancos disseram que em meio ao esforço para reduzir os custos do seu serviço da dívida, a Grécia vai buscar ser "mais agressiva" em sua próxima emissão.

 

De fato, a Grécia precisará reduzir os custos onde for possível se quiser trazer seu déficit orçamentário de quase 13% do PIB em linha com o limite de 3% da União Europeia. Espera-se que a Grécia apresente seu primeiro plano de redução da dívida em 16 de março para ser examinada pela UE.

 

Alguns elementos da população da Grécia já julgaram o plano atual - que inclui o corte de 4 pontos porcentuais do déficit orçamentário este ano através do congelamento ou corte dos salários, aumento de impostos e redução da evasão fiscal - como muito agressiva.

 

Milhares de funcionários do Ministério de Finanças e funcionários do serviço aduaneiro deixaram seus postos em um recente protesto contra os cortes. Ao mesmo tempo, os funcionários do serviço aduaneiro também anunciaram uma greve de três dias, enquanto funcionários da receita federal, motoristas de táxi e de caminhões também ameaçam entrar em greve.

 

Contudo, até agora Bruxelas expressou apenas um apoio parcial ao plano, com algumas autoridades da UE dizendo que os cortes não são grandes o suficiente. Se os parceiros da zona do euro da Grécia não ficarem convencidos com as novas propostas, eles poderão forçar Atenas a adotar medidas ainda mais dolorosas para reduzir seu déficit. As informações são da Dow Jones.

 

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