Grécia enfrenta risco de default em quatro ou cinco anos

No curto prazo, acordo com FMI interrompeu impasse e forneceu solução imediata

Nalu Fernandes e Cynthia Decloedt, da Agência Estado,

29 de março de 2010 | 16h06

A Grécia enfrenta risco significativo de um default da dívida soberana no horizonte de quatro a cinco anos, advertiu o economista global do UBS, Paul Donovan, em entrevista ao AE Broadcast Ao Vivo, da Agência Estado. Do escritório em Londres, o analista argumentou que a economia grega é ineficiente, não é competitiva, o que irá representar "desafios enormes" ao país em quatro ou cinco anos, quando um novo risco de default poderá emergir.

 

Para o economista, o acordo costurado pela União Europeia com o Fundo Monetário Internacional (FMI) é uma boa notícia no curto prazo. "Mas é uma má notícia para o euro no longo prazo". No curto prazo, ele argumentou que o acordo interrompeu um impasse e forneceu uma solução imediata. No longo prazo, contudo, expõe que a Europa foi incapaz de resolver a questão por si só e precisou buscar ajuda fora da união regional. "Se precisa buscar ajuda fora para um problema tão pequeno como a Grécia, que, francamente, é um problema muito pequeno em comparação com a escala da economia europeia, desperta preocupação, na minha visão", ponderou ele.

 

Donovan afirmou, no entanto, que a Grécia é um "problema pequeno" para a União Europeia. Para ele, o grande problema é que a união monetária não funciona do ponto de vista econômico. O analista argumentou que a União Monetária Europeia "não funciona economicamente. Não é uma boa estrutura econômica e precisa ser reformada no médio prazo". Ele citou três pontos necessários para um melhor funcionamento da UE do ponto de vista econômico. Em primeiro lugar, ele estimou que é necessário ter união fiscal, para que as economias que mais crescem possam transferir receita derivada da arrecadação de impostos para aqueles que menos crescem.

 

Na sequência, o economista vê a necessidade de haver aumento da flexibilidade e da mobilidade de emprego. Estas duas últimas seriam importantes para permitir que salários sejam ajustados para fornecer mais competitividade para as economias que necessitam e permitir maior mobilidade aos desempregados na busca por postos de trabalho em outros países da união.

 

Sobre a emissão de € 5 bilhões em títulos da Grécia precificada hoje, o economista do UBS classificou a operação como satisfatória, mas já avisou que será preciso captar novamente para poder honrar o vencimento da dívida em abril e maio. "Há diversas estimativas sobre o quanto será preciso, mas a quantidade de dívida que está vencendo está entre € 16 bilhões e € 25 bilhões".

 

Ainda quanto ao tema dívida soberana, Donovan julgou que não há razão lógica para que o Reino Unido venha a ter a classificação de risco de crédito rebaixada. "Não há razão pela qual um país que tem um sistema político estável e é capaz de imprimir sua própria moeda deveria ser algo que não AAA", avaliou. Todo objetivo da classificação de crédito, continuou o economista, é avaliar se o credor conseguirá o dinheiro de volta ao final das contas", completa.

 

 

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