Greenspan preside amanhã sua última reunião no FED

Apesar da desaceleração da economia americana no último trimestre de 2005, quando o PIB se expandiu a uma taxa anual de apenas 1,1%, e da previsão de crescimento menor este ano, economistas e analistas de mercado apostam que a taxa de juros subirá pelo menos mais duas ou três vezes no início da era pós-Greenspan. Isso contribuiria para alongar a série de 14 aumentos de 0,25 ponto porcentual iniciada em junho de 2004 pelo presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), que esta semana passará o cargo a Ben Bernanke. O economista, de 52 anos, formado pela Universidade de Princeton, já foi governador do BC e chefe dos conselheiros econômicos da Casa Branca. Juro pode aumentar amanhã A taxa pode aumentar amanhã, quando a Comissão Federal do Mercado Aberto (Fomc), o Copom dos EUA, fará sua última reunião sob o comando de Greenspan, de 79 anos, que presidiu o BC americano nos últimos 19 anos com poder quase absoluto. As previsões são de que os juros certamente subirão em meados de março, quando Bernanke presidirá a primeira reunião da Fomc. A sabedoria convencional é que o novo presidente do Fed terá de dar uma demonstração inicial ao mercado e ao país de que está à altura do desafio de suceder o legendário Greenspan, e a maneira de fazê-lo é apertar o parafuso monetário. Futurologia à parte, há algo que cairá com a entrada de Bernanke e de dois novos governadores do Fed: a média de idade dos governadores do BC americano diminuirá para 52 anos. As idades dos dois governadores nomeados por Bush, Kevin Warsh, de 35 anos, e Randal Kroszner, de 43, não somam os 79 anos de Greenspan. Crescimento sem precedentes Observadores do Fed disseram na semana passada que o rejuvenescimento da diretoria do BC americano facilitará o trabalho de Bernanke de estabelecer sua autoridade no posto que é considerado o mais influente dos EUA, depois do presidente da república. Bernanke será o 14º presidente do BC americano, criado em 1913 com as missões por vezes contraditórias de manter os preços estáveis e promover o emprego. Nos últimos 27 anos, o cargo teve apenas dois ocupantes, Paul Volcker, que jogou a economia na recessão para domar uma inflação que chegou a 13% ao ano, e o próprio Greenspan, que presidiu uma era de crescimento sem precedentes e, graças a isso, despede-se do cargo como o mais influente presidente da história do Fed. Mercado financeiro Segundo o economista-chefe do banco de investimentos Lehman Brothers, Ethan Harris, a chegada de dois governadores jovens aumentará o capital intelectual do grupo em temas regulatórios, especialidade de Krozner, e relacionados com o mercado financeiro, onde Warsh atuou antes de ser nomeado para o conselho de assessores econômicos da Casa Branca. Ele prevê que Bernanke e Don Kohn, um dos sete governadores e ex-funcionário do Fed, serão as figuras dominantes do Fed pós-Greenspan. Para Stephen Stanley, economista-chefe da RBS Greenwich, a ênfase financeira e regulatória dada à composição da equipe pela nomeação de dois novos diretores dará mais espaço para Bernanke nas decisões monetárias, campo em que sua autoridade intelectual é reconhecida. Sem mudanças abruptas Bernanke deu amplos sinais de que, no início, não fará mudanças abruptas na orientação que Greenspan imprimiu ao BC e afirmará sua liderança de forma gradual. Sua conhecida predileção pelo sistema de metas inflacionárias e seu estilo pessoal mais aberto do que o de Greenspan criaram a expectativa de que ele conduzirá o Fed de forma mais colegiada do que o antecessor e dará mais transparência às decisões da instituição. Uma mudança esperada é a maior clareza na comunicação entre o Fed e os agentes econômicos. As declarações diretas e sem enfeites de Bernanke substituirão os discursos em linguagem cifrada de Greenspan. "Por causa do ambiente de onde vem e por ser a pessoa que é, estou bastante seguro de que Bernanke usará as reuniões da Fomc para engajar-se num debate real com os membros do comissão", disse Alan Blinder, que antecedeu Bernanke na direção do Departamento de Economia da Universidade de Princeton e discordou de decisões de política de Greenspan durante os dois anos - de 1994 a 1996 - em que foi vice-presidente do Fed. Alice Rivlin, que foi vice de Greenspan entre 1996 e 1999, acredita que Bernanke chega com a vantagem de ter sido governador do Fed e tem consciência de quão difícil é tomar o pulso da economia do país.

Agencia Estado,

30 de janeiro de 2006 | 08h18

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