Grupo Águia Branca pretende abrir capital

Se o negócio de aviação vingar, a idéia de Nilton Chieppe, dono da Águia Branca, é que essa seja a primeira empresa do grupo a estrear no Novo Mercado da Bovespa. Seria uma espécie de laboratório. Na seqüência, o plano é abrir o capital do restante das empresas da companhia.Antes, porém, o grupo deve se preparar para esse momento nos próximos cinco anos. O Águia Branca quer adotar princípios de governança corporativa e aprimorar os critérios de transparência das suas empresas. A distribuição de dividendos foi o primeiro passo dessa nova fase.A empresa, fundada há 60 anos pelo irmão mais velho de Nilton, começou a modernizar sua gestão no começo década de 90. O grupo queria evitar o desfecho típico - e trágico - das empresas familiares que entram na terceira geração.O grupo criou regras escritas sobre a participação da família no negócio. A partir daquele momento, quem quisesse trabalhar deveria entrar pela porta de trás, sem assumir cargo de comando na companhia. No grupo, trabalham hoje 15 membros da família. Três pessoas já são da terceira geração.Os sócios foram transformados em pessoa jurídica. Cada ala da primeira geração tornou-se dona de uma empresa, que por sua vez é sócia da Águia Branca Participações. Foi uma forma de conter as disputas entre geração típicas de empresas familiares.O grupo mudou muito desde que foi criado. A área de transporte rodoviário hoje representa apenas 25% do faturamento. A empresa de logística ganhou corpo, cresce 20% ao ano e hoje fatura R$ 300 milhões.A diversificação foi uma forma de continuar a expansão do grupo e também compensar as perdas provocadas pela concorrência do ônibus com os aviões e com o transporte clandestino de passageiros.O Grupo Itapemirim, conterrâneo, contemporâneo e concorrente do Águia Branca, seguiu o mesmo caminho. Tem desde fazendas a empresas de mineração e informática. No passado, já teve um negócio de táxi aéreo.A área de transporte rodoviário ainda é a estrela do grupo. É responsável por receitas de cerca de R$ 550 milhões. "O Águia Branca é um grupo muito parecido com o nosso. Eles cresceram mais devagar que a Itapemirim, mas foram se consolidando dentro do Espírito Santo", diz Ronaldo Fassarella, superintendente da Viação Itapemirim. "O fato de a Itapemirim ter um só dono talvez tenha facilitado as decisões. O Águia Branca tem vários sócios. Toda decisão deve ter a anuência de todos", completa Fassarela.

Agencia Estado,

25 de setembro de 2006 | 10h23

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