Grupo Marchiori cria tecnologia de biodiesel com baixo custo

O Grupo Marchiori, de Piracicaba (SP), desenvolveu e patenteou o projeto, equipamento e processo de uma usina modular, em fibra de vidro, para a produção de biodiesel. "O principal diferencial está no custo, entre 30% e 40% mais baixo que o da concorrência. A tecnologia é brasileira, não temos de pagar royalties", explicou o diretor-presidente do grupo, Antônio Martinho Marchiori.Os reatores em que ocorre a transferência de óleo e biodiesel são feitos a partir da fibra de vidro, que substitui o inox e o titânio. A fibra resiste até 99 graus centígrados. "Nenhum processo existente ultrapassa 75 graus", diz o diretor do Departamento de Bioenergia, Luiz Barbosa, que aponta também como vantagens o fácil manuseio das plantas, o fato de a fibra não ser quimicamente reativa e a rara necessidade de manutenção.As usinas, que constituem fábricas de biodiesel, são produzidas numa das empresas do grupo, a Central Plast, em Três Lagoas (MS). Até o final deste ano, a idéia é inaugurar uma unidade própria em Piracicaba, com capacidade de produção de 150 mil litros/dia. Também está em andamento a implantação de uma segunda usina, em Sinop (MT), que irá funcionar ao lado de uma destilaria de álcool que o grupo possui no município. A capacidade dessa unidade será de 100 mil litros/dia, a partir do esmagamento de grãos.Além da geração própria de biodiesel de origem vegetal e animal, o Grupo Marchiori dá andamento a outros 15 projetos. "O interesse é crescente por parte de prefeituras para a compra de biodiesel, mas, por enquanto, é essencialmente o setor privado que tem nos procurado", afirmou o diretor-presidente. Com o exterior, há conversações com o Canadá, República Dominicana, Chile e Itália para vendas de equipamento e tecnologia. Este último também se interessa pelo biodiesel produzido pelo grupo.Uma fábrica com capacidade de produção de 30 mil litros/dia, partindo do grão, incluindo a esmagadora de matéria-prima, custa em torno de R$ 20 milhões. Se o biodiesel for feito já a partir do óleo, esse custo cai para R$ 7 milhões, com possibilidade de financiamento por parte do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).Marchiori vê nas usinas de cana clientes potenciais importantes. "Dentro delas cabem as fábricas de biodiesel. As usinas têm áreas renováveis para replantio, que ficam de seis a sete meses ociosas, e podem ser utilizadas para a plantação de oleaginosas", sugere.

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