Dario Oliveira|Estadão
Dario Oliveira|Estadão

Guerra comercial entre China e EUA deve afetar ações na Bovespa

Analistas acreditam que tensões comerciais podem aumentar aversão ao risco global

Karin Sato, O Estado de S.Paulo

07 Julho 2018 | 04h00

As tarifas contra produtos chineses adotadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e as medidas de retaliação da China entraram em vigor nesta sexta-feira. A coluna perguntou aos analistas quais são os efeitos da guerra comercial para a Bovespa. A expectativa é de que os desdobramentos da política americana levem a um aumento da aversão ao risco global, afetando as bolsas de valores de países emergentes no geral.

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Além disso, há uma chance de a economia chinesa acabar sendo prejudicada, o que afetaria o Brasil, já que o país asiático é um grande consumidor dos nossos insumos. 

Rafael Passos, analista da Guide Investimentos, diz que o aumento desenfreado de tarifas pode elevar custos das exportações e diminuir o fluxo do comércio internacional. “Um grande receio do mercado é que a guerra comercial cause desaceleração do crescimento econômico global.”

Nos mercados, o analista da Guide prevê aumento da volatilidade, com a tensão comercial diminuindo o apetite por ativos de riscos. Quando isso acontece, geralmente o fluxo de recursos externos para a Bovespa diminui. Ele espera ainda pressão sobre as commodities, em especial no caso dos grãos, que são mais vulneráveis à aplicação de sobretaxas pelos países. 

“Além disso, essa maior volatilidade global, relacionada à aversão ao risco, tende a impulsionar o dólar. Papéis de empresas consideradas mais arriscadas podem sofrer mais. O mesmo deve ocorrer com companhias que detêm custos e dívidas atrelados ao dólar”, explica Passos. 

Sandra Peres, analista da Coinvalores, também prevê aumento do temor quanto à economia global, o que afetaria os ativos de renda variável, sobretudo em mercados emergentes, como o Brasil. 

Ricardo Peretti, estrategista de pessoa física da Santander Corretora, explica que, até o momento, a equipe de análise não identificou uma política dos EUA que tenha efeito direito sobre a economia brasileira ou alguma indústria no Brasil. 

“Indiretamente, entretanto, a piora da tensão entre EUA e China pode ter impactos secundários para a economia doméstica. O risco principal é que a série de barreiras comerciais impostas entre os países leve a uma desaceleração da economia chinesa, principal parceiro comercial do Brasil, acarretando um menor consumo de commodities”, afirma Peretti. 

Considerando hipoteticamente que os americanos apliquem tarifas adicionais de 25% sobre as importações chinesas, com retaliação pela China na mesma proporção, o time estima impacto de 1% no crescimento da atividade econômica medida pelo Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, em um horizonte de quatro trimestres. Isso reduziria a estimativa de expansão da casa para algo próximo a 2% em 2019.

Companhias com exposição direta ao preço de commodities ou à economia chinesa sofrerão mais, em um primeiro momento.

Vitor Suzaki, da Lerosa, diz que a política do Trump pode levar a uma redução dos investimentos na renda variável no curto prazo, diante da provável maior procura por ativos mais seguros, como títulos americanos ou dólar. “Outra questão fica com o dólar fortalecido, afetando preços de commodities e com potencial de elevar a inflação nos EUA, gerando uma aceleração do processo de aperto monetário pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano).”

 

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