Há risco de PIB dos EUA negativo por um ou dois trimestres

Fernando Fix, Votorantim Asset, observou, no entanto, que o país pode se recuperar até o final de 2008

Luciana Xavier e Patricia Lara,

17 de janeiro de 2008 | 16h12

Os indicadores mais recentes dos Estados Unidos aumentaram as chances de recessão no país, mas ainda parece haver luz no fim do túnel e uma saída para um cenário menos trágico. Em entrevista ao AE Broadcast Ao Vivo, o economista-chefe da Votorantim Asset Management, Fernando Fix, disse que existe a possibilidade de um ou dois trimestres com PIB negativos este ano, mas também com chances de recuperação até o final de 2008. "Há ingredientes para que a economia saia dessa fase preocupante que está no começo de 2008", afirmou. Ele estima uma expansão de 1% para PIB americano este ano. - Ouça a entrevista com Fernando Fix Esses ingredientes, segundo o economista, seriam estímulos fiscal, monetário e externo. "O Fed não hesita em combater os riscos mais pronunciados de recessão. Também está claro que Bush (George W. Bush, presidente dos EUA) deve trazer alívio fiscal e as exportações devem contribuir também para que a economia se recupere", enumerou.  De acordo com Fix, a ajuda do Federal Reserve (Fed) virá na forma de mais um corte de juros em janeiro, de 0,50 ponto percentual, seguido de outros dois de 0,25 pp, para 3,25% ao ano. "Há motivo para o Fed reacelerar os cortes de juros (em janeiro)."  Já o pacote fiscal esperado para 28/1, durante pronunciamento do presidente George W. Bush, "deve ser uma reedição do que foi feito em 2001". O economista disse que são esperadas medidas de incentivo fiscal na ordem de US$ 70 bilhões. "Isso daria algum gás para o consumo", avaliou. Segundo Fix, esse início de 2008 deve ser o período mais crítico, como já mostraram alguns balanços de bancos e dados da economia, como inflação, produção industrial e o último payroll. "Há uma série de indicadores que ainda podem trazer volatilidade aos mercados", afirmou. Fix reforçou que as incertezas devem seguir por vários meses. "A gente está com uma lupa para cada indicador para verificar se há contágio", disse. "Há sinais que reforçam a preocupação com recessão", salientou.  Segundo ele, os dados de emprego, produção industrial, renda real e vendas no varejo é que são observados para se verificar se há recessão na economia. "Há pelo menos dois setores imbicando claramente para desaceleração, o que aumento o risco de recessão", concluiu. Bancos Fix disse que o setor imobiliário de hipotecas subprime gerou perdas significativas para os bancos, mas que não vê risco de desequilíbrio estrutural no setor. "Sinal disso é o aporte de capital por emergentes que estão muito capitalizados", ressaltou.  O Citigroup, por exemplo, que teve um dos piores balanços já divulgados nos Estados Unidos, com perdas colossais em torno de US$ 10 bilhões no quarto trimestre, anunciou que irá levantar US$ 14,5 bilhões em novos capitais através de colocação privada e oferta pública de ações preferenciais.  Fix disse ainda que a alta da inflação na Europa preocupa e que o Banco Central Europeu (BCE) parece não ter grande margem de manobra na política monetária. "Mas é cedo para falar de estagflação na zona do euro", disse. Prefixados O aumento das incertezas em relação à economia norte-americana está novamente afugentando os investidores da Bovespa. Com uma maior aversão aos ativos de risco, os estrangeiros estão optando por títulos soberanos de países desenvolvidos, enquanto no Brasil "há algum apetite maior para o mercado de juros prefixados", comentou o economista. "Os prefixados parecem apresentar alguma atratividade", disse. Fix acredita que a bolsa paulista possa cair mais no curto prazo, para 55 mil pontos ou mesmo 50 mil pontos, mas recuperar a trajetória de alta até o final do ano, podendo fechar ao redor de 75 mil pontos. Segundo ele, o Ibovespa "já queimou bastante de sua gordura".  Com relação aos juros, Fix projeta um longo caminho de manutenção da Selic em 11,25%, pelo menos até o final do ano. "O Copom deve prolongar o período de pausa porque o cenário de inflação ficou mais apertado", explicou o economista, que espera que a inflação fique ao redor de 4,3% este ano.  Para Fix, o Banco Central deverá deixar claro nas próximas atas a preocupação com a inflação. Segundo ele, assim como o Banco Central Europeu (BCE), o BC brasileiro deveria salientar uma "forte vigilância" em relação à inflação. "Não precisa ser exatamente nesses termos, mas é preciso que ele sinalize que o momento atual recomenda cautela bastante grande". O economista disse ainda não ter em seu cenário, altas de juros este ano. "Não nos parece necessário 'puxadas' nos juros", avaliou.

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