Há risco de queda do juro para previdência privada

A perspectiva de queda da taxa real de juros pode começar a colocar em risco os sonhos de aposentadoria. Isso porque os juros pagos pelos papéis de renda fixa com correção monetária e prazo de vencimento mais longo apontam para baixo, exigindo que o poupador aplique mais recursos para obter a renda desejada no futuro. No caso da Previdência, as aplicações em renda fixa são as favoritas porque esse tipo de investimento resulta em risco menor e a aposentadoria é uma aplicação onde apenas uma pequena parte deve ser aplicada em renda variável. Já os títulos públicos com prazo de vencimento mais longo garantem uma taxa de juros durante o período de acumulação e, às vezes, também durante a época de saques. Hoje o secretário de Previdência Complementar do Ministério da Previdência, Adacir Reis, fez um alerta em relação ao risco da queda dos juros. Ele defendeu que os fundos de pensão (os planos fechados de previdência complementar) "reflitam se a taxa de juros real de 6% ao ano é sustentável no médio e longo prazo. É preciso que este seja um item obrigatório de reflexão." No II Seminário de Fundos de Pensão, Adacir lembrou que o sistema de fundos de pensão foi criado e se desenvolveu em um ambiente de alta inflação e depois de altos juros. "O sistema não passou por um cenário macroeconômico como este que está sendo construído, com baixa inflação e baixa taxa de juros", lembrou. O secretário recomenda, mesmo a fundos superavitários, que se debrucem sobre esta questão da taxa de juros real. Essa também é uma questão que deve permear a cabeça de quem tem um plano de previdência próprio, ou seja, faz sua própria poupança para a aposentadoria. Nesta semana, as Notas do Tesouro Nacional (NTN-B), que são corrigidas pelo IPCA, com vencimento em 15 de agosto de 2024, foram recompradas pelo governo com taxa de 7,55%. Hoje, a maioria dos fundos de pensão que trabalham no sistema de benefício definido - produto indisponível nas seguradoras - garante rentabilidade real dos recursos de 6%. Caso as taxas de juros reais caíam abaixo desse nível, terão que discutir a promessa com os poupadores. Para os investidores que têm planos abertos de previdência não foi feita promessa de rentabilidade, mas a conta realizada como parâmetro na época de contratação do plano pode se mostrar disparatada com a queda dos juros.

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