Há um novo patamar para o preço do dólar?

A manutenção da expectativa de alta das taxas de juros nos Estados Unidos aumentou a volatilidade no mercado financeiro. Isso ocorreu porque os investidores internacionais decidiram reduzir sua exposição ao risco de países emergentes. Para muitos analistas, o ajuste das carteiras não significa uma mudança definitiva de cenário. Os preços estariam oscilando muito porque o dólar havia apresentado forte queda, o risco Brasil atingira recordes de baixa e a Bovespa vinha apresentado recordes sobre recordes de pontos. Segundo analistas ouvidos pela Agência Estado não se trata de uma real aversão de investidores estrangeiros ao risco dos países de economias emergentes, mas apenas uma tentativa de antecipação dos investidores para um eventual cenário de liquidez internacional mais restrita. Isso ocorre porque se essa tese se confirmar, ficará mais difícil vender esses ativos no futuro. Por isso, uma redução neste tipo de aplicação, ainda de acordo com esses profissionais, seria esperado. Para operadores, até ontem foi muito cedo para responder à pergunta que não quer calar (se o preço do dólar atingirá um novo patamar). O dólar chegou a subir 3,31%, mas fechou com ganho menor - de 1,96%, a R$ 2,186, depois que empresas exportadoras resolveram antecipar contratos de exportação e após a realização de lucros no mercado de commodities - a alta recente vinha alimentando ainda mais o temor de aceleração da inflação no mundo e, conseqüentemente, das taxas de juros. A acentuação do nervosismo do mercado começou na quinta-feira e desde o fechamento do dia anterior, a moeda norte-americana acumula alta de 6,12% aqui no Brasil. Diversos operadores acreditam que o novo patamar de preço do dólar só será conhecido depois da divulgação de importantes indicadores de inflação nos Estados Unidos ao longo da semana - hoje será a vez do índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) do mês de abril. A mediana das previsões de 23 economistas ouvidos em pesquisa Dow Jones/CNBC é uma alta de 0,8% em abril. Para o núcleo do índice, a expectativa é de aceleração de 0,2% em abril, em relação ao mês anterior.

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