Hélio Costa quer ligar banda larga sem fio à TV digital

O ministro das Comunicações, Hélio Costa, afirmou que a banda larga sem fio, com tecnologia WiMax, poderá ser usada para oferecer serviços interativos na TV digital, sem passar pela redes de telefonia. "Num primeiro momento, o conversor terá interatividade local, sem canal de retorno", disse Costa. O canal de retorno, que poderia ser uma linha fixa ou móvel, leva informações da casa do espectador à emissora ou à internet.A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) sofre pressão do governo para adiar um leilão de freqüências para a banda larga sem fio, marcado para o próximo mês. O ministro preparou uma portaria cancelando o leilão, mas disse que vai esperar até 4 de setembro, data da entrega das propostas, para editá-la. "Estamos conversando com a Anatel", destacou Costa, que ainda espera que a agência possa mudar de idéia sem a edição da portaria.Apesar do discurso do ministro, as grandes redes descartam entrar no leilão de freqüências e operar diretamente a banda larga sem fio, apesar de verem nela uma boa alternativa para o canal de retorno. "Não vamos operar rede de telecomunicações", afirmou Liliana Nakonechnyj, diretora de Tecnologia de Transmissão da Globo. "O nosso negócio é televisão, que já é difícil."Operar WiMax também não está no plano estratégico do SBT. "O canal de retorno não é foco", disse Roberto Franco, diretor de tecnologia do SBT e presidente da Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão e Telecomunicações (SET). "Já existem várias alternativas. O WiMax é mais importante para política pública."Uma das bandeiras do governo para a implantação da TV digital era a inclusão digital via televisor. Não vai acontecer tão cedo, porque isto dependeria do canal de retorno. Os equipamentos terão interatividade limitada. Ou seja, as informações serão armazenadas no conversor, com o qual o usuário vai interagir. Não será possível participar de enquetes, acessar correio eletrônico, fazer compras ou acessar serviços de governo no primeiro momento.Costa pediu apoio dos radiodifusores contra a ação do Ministério Público Federal, que contesta em Belo Horizonte o decreto para a implantação da TV digital. "Não vejo conotação política", afirmou o ministro, senador por Minas Gerais. "A culpa é de pessoas que atrapalham, que fazem perguntas improcedentes." Ele participou da abertura do evento SET 2006 - Broadcast & Cable.A TV digital deve chegar a São Paulo em meados do próximo ano. Os radiodifusores se queixaram da pressão das operadoras de telecomunicações no processo de escolha do padrão."A radiodifusão nunca foi tão atacada como nos últimos tempos", disse Amilcare Dallevo Jr., presidente da Associação Brasileira de Radiodifusores (Abra) e da RedeTV, antes do discurso do ministro. São sócios da Abra a Bandeirantes e a RedeTV. "As empresas de telecomunicações queriam entrar no nosso setor. A palavra convergência foi usada a torto e a direito. Mas será que, com a convergência, a radiodifusão poderia fazer telefonia? Será que poderia comprar licenças de WiMax?" Pelo que disse o ministro, poderia.

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