Holerite vira alvo de disputa entre bancos

A exemplo de Estados e municípios, empresas de diversos setores estão vendendo a instituições financeiras o direito de explorar a folha de pagamento dos seus empregados. Realiza-se uma concorrência com a participação de vários bancos, vencendo o que oferecer o maior pacote de vantagens, que inclui geralmente um pagamento em dinheiro à corporação. O contrato é por tempo determinado, normalmente cinco anos. A Arcelor Brasil é uma das empresas que realizaram recentemente um processo desse tipo. Em julho, oito bancos participaram de uma concorrência na companhia com o objetivo de ganhar o direito de fazer o crédito de salário de 14,5 mil empregados do grupo. O vencedor foi o Santander Banespa, que assumirá a função em outubro. O diretor de Relações com Investidores do Itaú, Alfredo Setubal, disse que a disputa desse mercado está cada vez mais acirrada. Sempre houve negociação entre empresas e bancos para a gestão da folha, mas envolvia apenas redução de tarifas nos serviços oferecidos aos empregados e à companhia. "Hoje, a negociação é mais ampla, com pagamento em dinheiro pela instituição financeira." Para as empresas, a contratação de um banco nesses moldes é vantajosa por implicar a racionalização dos processos - no caso de grupos com várias companhias, em que cada uma trabalhava com uma instituição - e por significar um ganho financeiro. Para os bancos, a vantagem está no acesso a novos clientes, para os quais ofertarão uma série de produtos além das contas correntes, como crédito, seguro e fundos de investimento. No ano passado, os bancos passaram a disputar com avidez as contas dos funcionários públicos. A maior concorrência foi realizada pela Prefeitura de São Paulo, em outubro de 2005, quando o Itaú pagou R$ 510 milhões para ter o direito de explorar, por cinco anos, a folha de salários dos 210 mil servidores. O Bradesco arrematou o direito de pagar os fornecedores da cidade. Os funcionários públicos, que têm estabilidade e salários maiores, foram os primeiros a atrair os bancos. Agora, os empregados de empresas privadas também atraem o interesse do setor. O que levou os bancos a despertar para esse mercado foi a necessidade de ampliar os negócios, especialmente o crédito, por conta do cenário de queda das taxas de juros. Os valores envolvidos na área privada são menores, mas alcançam dezenas de milhões de reais, segundo fontes. A Arcelor Brasil confirmou que houve um pagamento por parte do Santander Banespa para assumir a folha de salário dos empregados, mas não revelou o valor. De acordo com a companhia, a contratação de um único banco como parceiro nessa atividade faz parte do Projeto Sinergias, que visa à redução de custos com a integração das diversas empresas do grupo (CST, Belgo, Vega do Sul, além da Acesita, controlada diretamente pela Arcelor européia). Participaram da concorrência Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econômica Federal, HSBC, Itaú, Unibanco, ABN Amro Real e Santander.

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