Holofote hoje é TJLP

O "batismo de fogo" do novo ministro da Fazenda, Guido Mantega, foi adiado de ontem para hoje. No seu primeiro grande teste de força no cargo, que será o novo patamar para a Taxa de Juro de Longo Prazo (TJLP), a grande dúvida do mercado financeiro é se ele, conhecido por suas posições "desenvolvimentistas", continuará ou não mantendo o discurso que tinha até a semana passada, como presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), de defesa de uma queda da taxa de 9% para 7%. O ministro afirmou na terça-feira que mudou de cargo no governo, mas não mudou de opinião. Logo depois, porém, destacou: "Antes eu estava do outro lado do balcão e falava alguma coisa sobre a TJLP até para fazer uma certa pressão", admitiu Mantega, sugerindo que a situação agora pode ser diferente e avisando que, para chegar a um consenso sobre a nova TJLP, pretende conversar com os outros membros do CMN - o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles (cuja ortodoxia dispensa comentários), e o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, que se destacou, desde os tempos de deputado na Câmara, como um dos principais defensores das políticas de Antonio Palocci. Nesta quarta-feira, Bernardo disse não apostar em nenhuma decisão "drástica" e sim "viável, técnica, conversada e consensual", mas afirmou que o ministro da Fazenda sempre tem um "peso imenso" nesta ocasião e que desta vez não será diferente. Admitiu, em seguida, que poderá ser o fiel da balança na reunião tida como emblemática pela comunidade financeira. Estritamente pela fórmula que compõe a TJLP (expectativa de inflação e risco País), a taxa poderia ser reduzida dos 9% ao ano atuais para algo em torno de 7,5% ou 7% ao ano, embora faça tempo que a taxa não vem colada à sua fórmula original. De qualquer maneira, é praticamente consensual no mercado hoje que uma redução mais agressiva da taxa, por exemplo, para o patamar sugerido pela fórmula, seria entendida como um sinal negativo de heterodoxia na gestão da economia.

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