IBGE: perto do verão, setor de bebidas eleva preços

IBGE: perto do verão, setor de bebidas eleva preços

O Índice de Preços ao Produtor subiu o,48% em agosto sob influência do encarecimento de commodities

IDIANA TOMAZELLI, Estadão Conteúdo

26 de setembro de 2014 | 11h38

A elevação de 0,48% no Índice de Preços ao Produtor (IPP) em agosto foi determinada principalmente pelo avanço na cotação dos preços das commodities no exterior, mas um movimento de recomposição de preços também contribuiu para que o indicador voltasse ao positivo, após cinco meses de queda. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), segmentos como o de bebidas e o de veículos aproveitaram o mês para tentar recuperar margem de lucro.

Após oito quedas consecutivas, o setor de bebidas reajustou preços pela segunda vez em agosto. A alta foi de 1,89% no mês passado, após elevação de 0,13% em julho. "São produtos que têm certa sazonalidade. Então tem uma preparação do mercado para os meses de verão. Esse posicionamento negativo que aconteceu durante oito meses antes desses dois de elevação foram antecipação da expectativa de contratos para o verão. E agora tem esse aumento, no momento em que os contratos começam a ser fechados", explicou o técnico Cristiano Santos, da Coordenação de Indústria do IBGE.

Na indústria de veículos, a troca de modelos para os lançamentos de 2015 tem impulsionado os preços, que ficaram 0,64% maiores na porta de fábrica. O ritmo é mais intenso do que o aumento de 0,22% observado em julho. "Quando começa essa troca, há uma apreciação (no valor). É claro que pode haver mudança técnica, de qualidade, mas isso a princípio temos de retirar do indicador. Por outro lado pode haver reposicionamento de margem ao mesmo tempo, o que puxa a alta", disse o técnico.

Segundo Santos, o segmento de veículos também tem sido impulsionado pelos preços de peças do setor automotivo. A metalurgia, contudo, não contribuiu tanto para o reajuste, apesar de também sentir a influência da cotação de commodities no mercado internacional. "O setor envolve muito alumínio e aço. Como o aço é um derivado, ele sofre influência de muitas commodities, enquanto o aço é mais isolado, mas ainda assim sofre impacto", explicou Santos. "Mas acredito que isso não esteja sendo repassado ao setor de veículos neste momento", afirmou.

Em outros equipamentos de transportes, a tendência de baixa verificada no início do ano teve fim com a alta de 1,88% em agosto, uma das maiores taxas no mês. "Há uma forte tendência de reposicionamento em produtos como aeronaves e manutenção de equipamentos", disse Santos.

Já nas fábricas do setor de vestuário, houve queda de 0,18% nos preços em agosto. Segundo o técnico do IBGE, o momento é de redução de estoques, diante da aproximação da temporada de novos contratos para a estação de verão.

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