Ibovespa abre em alta, mas indica alta volatilidade

Junho começa com a Bolsa de Valores de São Paulo sinalizando alta volatilidade, dando continuidade ao movimento do mês passado. O Ibovespa abriu em baixa, subiu, desceu novamente e às 10h13 voltava a subir, registrando ganho de 0,04%. No exterior, as principais bolsas registram baixas moderadas, refletindo o sentimento de cautela dos investidores após a ata do banco central dos EUA, que deixou em aberto o resultado da reunião do Fed nos próximos dias 28 e 29 de junho, mantendo as incertezas em relação a necessidade ou não de mais aumentos de juros. Diante dessa dúvida manifestada abertamente pelo Fed, os investidores devem reagir com nervosismo a cada dado sobre inflação e atividade que for divulgados no decorrer deste mês nos EUA. Amanhã sai o relatório de emprego, o que é mais um motivo para o mercado ficar na defensiva. A partir da segunda semana de junho saem o índice de preços ao consumidor (CPI) e o índice de preço no atacado (PPI), o livro bege, a produção industrial de maio, e no final do mês o número final do PIB norte-americano do primeiro trimestre. Na verdade qualquer indicador que vier fora das previsões tem potencial para mexer com as expectativas do mercado. Esta manhã, as bolsas em Nova York inverteram o sinal e passaram a operar em alta reagindo ao aumento inesperado no número de pedidos de auxílio-desemprego, que subiu 7 mil na última semana, contrariando previsão de queda de 9 mil pedidos. O crescimento da produtividade foi revisado para 3,7% no primeiro trimestre ante previsões de 3,9%. O custo unitário da mão-de-obra subiu apenas 1,6%, segundo dado revisado, que ficou abaixo das expectativas. Os dados aliviaram um pouco os temores de pressões inflacionárias. Mas o dado considerado mais importante do dia nos EUA é o do ISM, o índice de atividade industrial nacional dos gerentes de compras referente a maio, que sai às 11h. A mediana das previsões aponta para é 55,5 em maio. A divulgação logo mais dos estoques de petróleo e derivados na última semana também pode contribuir para adicionar mais volatilidade aos negócios. Os preços do petróleo seguem em baixa, depois da queda superior a 1% ontem. O Nasdaq futuro subia 0,06% e o S&P 500 +0,04%. A decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central de baixar o juro em 0,50 pp, para 15,25% ao ano, não deve ter efeito nos negócios porque já era amplamente esperada. Ao manter o mesmo enunciado da reunião anterior o Copom indicou que pode continuar cortando a taxa de juro básica, dependendo da evolução do cenário macroeconômico. Agora, o mercado vai buscar na ata do Copom, que sai daqui a uma semana, "qual o papel do cenário internacional no painel de controle do BC", observou um especialista. Os investidores querem saber o peso que o Banco Central está dando ao cenário externo. Do ponto de vista da economia doméstica, a situação está sob controle. O PIB do primeiro trimestre cresceu 1,4% ante 0,9% no quarto trimestre do ano passado e a inflação está contida. O IPC-S de até 31/5, divulgado hoje cedo, mostrou deflação de 0,19%.

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