Ibovespa cai com blue chips e siderúrgicas

Agências de classificação de risco rebaixam Portugal e Grécia

Beth Moreira, da Agência Estado,

27 de abril de 2010 | 12h41

A Bolsa paulista opera em queda nesta terça-feira influenciada novamente pela preocupação do mercado em relação à situação da Grécia e uma possível contaminação de outros países do bloco. O ambiente negativo é potencializado pelas expectativas de que o Banco Central decida por uma alta maior na taxa básica de juros (Selic) do que o esperado inicialmente pelo mercado. Blue chips, siderúrgicas e empresas de telefonia puxam as baixas.

 

Às 11h56, o principal índice da Bolsa paulista registrava desvalorização de 1,12%, aos 68.103 pontos, após ter alcançado a mínima de 68.048 pontos (-1,20%). No mesmo momento, Dow Jones caía 0,16% e S&P 500 registrava desvalorização de 0,28%.

 

"A reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) contribui para deixar o mercado na defensiva hoje, uma vez que traz uma preocupação adicional aos investidores", avalia o chefe de análise da Modal Asset, Eduardo Marques Roche.

 

Petrobras PN recuava 1,41% e ON cedia 1,17%, enquanto a cotação do petróleo cedia em torno de 0,10% para a casa dos US$ 84,00 o barril. "Petrobras acumula queda de pouco mais de 10% no ano e deve continuar apresentando comportamento volátil enquanto permanecer a indefinição em relação à capitalização da empresa", avalia Roche, da Modal Asset.

 

Além dos entraves que vem enfrentando no Poder Legislativo, o processo de capitalização da Petrobras poderá se deparar com um novo obstáculo: a avaliação da Agência Nacional do Petróleo (ANP). Licitação lançada nesta semana pelo órgão prevê que a empresa que vai auditar o volume de petróleo da União a ser repassado para a estatal, terá um prazo de 90 dias, prorrogáveis por mais 45 dias, para concluir o levantamento.

 

Vale PNA registrava desvalorização de 1,37% e ON perdas de 2,23%. As siderúrgicas acompanham o movimento com Gerdau (-2,34%), Gerdau Metalúrgica (-2,28%), CSN (-1,57%) e Usiminas (-0,81%). Um operador lembra que o setor é destaque de alta no

ano e agora sofre realização. "O setor, assim como a Vale, tem gordura para queimar", afirma um profissional.

 

Telefonia

Telebras continua subindo forte hoje, enquanto as empresas de telefonia privada voltam a cair. Telebras ON avançava 9,79% enquanto a PN subia 6,88%, entre as maiores altas do mercado. O papel segue influenciado pelo expectativa de que a estatal poderá definir os preços para o uso da rede de fibras óticas instalada pelas estatais e operadoras de telefonia no Plano Nacional de Banda Larga. "Esse papel deve continuar apresentando volatilidade até a conclusão do plano", avalia um operador.

 

A possibilidade de o governo ditar o preço para o serviço de internet no País é ruim para as empresas do setor, que perderiam autonomia para fazer a cobrança da operação. Telemar ON cedia 2,25%, na lista de maiores quedas do Ibovespa. Também recuavam Telemar PN (-1,86%), Telemar PNA (-1,59%), Tim Participações PN (-1,34%). A exceção fica por conta de Vivo, que subia 1,27%, na lista de maiores altas do Ibovespa.

 

Na véspera de divulgação de balanço, Net recua 1,40%. A previsão de analistas consultados pela Agência Estado é de que a empresa deverá registrar um lucro líquido R$ 89,22 milhões nos três primeiros meses de 2010. Se confirmada a projeção que leva em conta a média projetada por cinco casas (Barclays, Bradesco, Brascan, Fator e Votorantim), o lucro da companhia avançaria 8,8% em relação ao lucro de R$ 82 milhões reportado no mesmo período de 2009. A Net divulga balanço amanhã antes da abertura do mercado.

 

Bancos e cartões

No setor financeiro a queda também é generalizada com Itaú Unibanco (-0,85%), Itaúsa (-0,25%), Bradesco (-0,26%), Banco do Brasil (-1,41%) e Santander (-0,66%).

 

Em meio a discussões sobre a regulamentação do setor de cartões no Brasil, Cielo subia 0,96% e Redecard recuava 0,51%. Hoje, Bradesco e Banco do Brasil assinaram memorando de entendimentos com o objetivo de lançar uma bandeira brasileira de cartões e integrar parte de suas operações. Na última sexta-feira, os dois anunciaram que acertaram a compra de fatia do Grupo Santander Espanha na Cielo.

 

A bandeira brasileira será de cartões de crédito, débito e pré-pagos para correntistas e não correntistas. O modelo de negócios inclui a criação de uma empresa para a venda de cartões para determinados grupos de clientes não correntistas e formatar, em conjunto, novos negócios para cartões private label, via parceiros varejistas.

 

De olho na entrada de 25 milhões de brasileiros na classe média, o Ministério da Justiça defenderá hoje, junto ao Banco Central (BC), a necessidade de que este assuma postura mais proativa em relação à regulamentação do segmento de cartões de crédito. A posição assumida pelo BC, até o momento, tem sido a de que não lhe cabe regulamentar o setor e que essa tarefa seria do Legislativo. No Ministério da Justiça, porém, o entendimento é o de que, de acordo com a Resolução 3518 do Conselho Monetário Nacional (CMN), a regulamentação é competência do Banco Central.

 

Elétricas

Em dia de queda na Bolsa as empresas do setor elétrico, papéis naturalmente defensivos, voltam a ser destaque de alta.  Eletrobras PNB (+2,09%), Cemig PN (+1%), Eletrobras On  (+0,87%), Cesp PNB (+0,82%). Operadores lembram ainda que ontem a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), ligada ao Ministério de Minas e Energia (MME) divulgou dados que mostram crescimento no consumo de energia elétrica no País. Também figuram na lista de maiores altas do Ibovespa Sabesp ON (+1,78%), Gafisa ON (+1,76%) e Cyrela (+1,04%).

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