Gabriela Bilo/Estadao
Gabriela Bilo/Estadao

Bolsa encerra em baixa e dólar em alta após 'guerra comercial' de Donald Trump

Cautela contra riscos de medidas protecionistas de Donald Trump pesam sobre Ibovespa, que fechou em queda de 0,25%; dólar encerra o dia a R$ 3,3083, com alta de 1,29%

Pedro Leite, O Estado de S.Paulo

22 Março 2018 | 19h07

Mesmo com a perspectiva de um novo corte nos juros básicos, o Ibovespa cedeu ao mau humor global. Passadas as reuniões de política monetária nos Estados Unidos e no Brasil, os mercados se voltaram para os riscos das iniciativas protecionistas do presidente americano, Donald Trump.

O índice brasileiro não conseguiu sustentar as altas registradas no pregão de hoje e, perto do fim da sessão, bateu sucessivas mínimas com as perdas do mercado acionário em Wall Street, fechando em queda de 0,25%, aos 84.767,88 pontos.

O dia também foi de valorização generalizada do dólar ante outras divisas pelo mundo. A moeda americana já iniciou o dia em alta e terminou cotada a R$ 3,3083 no mercado à vista, com alta de 1,29%. Em Nova York, os principais índices recuaram em torno de 2,5%, muito influenciados pelas novas investidas protecionistas do presidente Donald Trump contra a China. Pesou ainda a queda das ações do Facebook.

No meio da tarde, o Ibovespa tinha conseguido superar os 85 mil pontos. Na máxima, chegou aos 85.443 pontos com o apoio, sobretudo, de empresas do setor de aço: CSN e Usiminas lideravam as maiores altas da carteira do índice e estavam entre as mais negociadas no momento em que os EUA anunciaram que as tarifas sobre o aço e o alumínio não devem entrar em vigor amanhã para Brasil, Argentina, Europa e Austrália.

Mas, durante o pregão, os investidores também se mostraram cautelosos em relação ao mercado interno, atentos ao julgamento do habeas corpus do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Até o fechamento da sessão de negócios, o placar era de dois a dois pela admissibilidade ou não do habeas corpus neste caso. Votaram favoravelmente os ministros Alexandre de Moraes e Rosa Weber e contra Edison Fachin e Luís Roberto Barroso.

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O mercado de ações foi beneficiado pela decisão do Copom, impulsionando os setores mais ligados à economia doméstica e sensíveis a juros em detrimento de setores mais globais e cíclicos. Banco do Brasil caiu 1,8%, liderando as perdas dos bancos no Ibovespa, afetados pelo mau humor generalizado no exterior.

Na ponta azul do índice, BR Malls e Lojas Americanas PN avançaram 4,35% e 3,67%, respectivamente, com empresas ligadas à economia doméstica em alta na bolsa nesta sessão após decisão do BC, com sinalização de novo corte em maio.

No pregão de hoje as ações da Petrobras recuaram 0,55% (ON) e 1,50% (PN) em linha com a desvalorização dos contratos futuros de petróleo negociados no exterior, enquanto Vale ON perdeu 1,34%, na esteira da desvalorização do minério de ferro no mercado à vista chinês. O volume financeiro do pregão somou 9,9 bilhões de reais.

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