Ibovespa pode bater 85 mil pontos em 2010, diz BlackRock

É muito factível que o Ibovespa encerre o ano em 85 mil pontos, na avaliação de William Landers, que administra na gestora de ativos BlackRock cerca de US$ 8 bilhões em fundos dedicados à América Latina. Em entrevista ao programa <b>AE Broadcast Ao Vivo</b>, o gestor observou que o declínio recente do mercado acionário doméstico trata-se de uma realização atrelada principalmente a razões globais, como temores com a política monetária na China, diante do esforço para retardar um pouco o ritmo de crescimento do país asiático, e às preocupações ligadas ao momento no qual o Federal Reserve irá retirar os estímulos monetários nos EUA.

Nalu Fernandes e Claudia Violante,

27 Janeiro 2010 | 18h58

 

No destaque, Landers vê eventuais momentos de volatilidade que possam ocorrer ao longo do ano como "oportunidade de compra" de papéis. Em especial, ele estima que a temporada de balanços relativa ao quarto trimestre de 2009 deverá ser muito boa. "2010 é ano do crescimento puro", disse ele, que está em visita a clientes no Brasil esta semana.

 

Landers cita que o Brasil provou que estava bem posicionado para lidar com a crise internacional, e, agora, avalia que a Bolsa brasileira deve ter desempenho melhor que outros mercados da América Latina e acrescenta que a economia brasileira deve crescer acima da média mundial.

 

Para acompanhar eventuais momentos de volatilidade no mercado acionário, Landers recomenda acompanhar o comportamento dos Bancos Centrais no mundo, incluindo o brasileiro, com objetivo de buscar as indicações relativas a aperto monetário. Para ele, o Fed provavelmente vai errar pelo lado da cautela, esperando mais tempo do que deveria para elevar o juro. Quanto ao Brasil, na estratégia que traça em seu portfólio e na estimativa quanto ao Ibovespa, Landers trabalha com a perspectiva de que a taxa Selic encerrará o ano em 10,50%. Um nível que seria "suficiente", acredita.

 

Ele reconhece que a eleição presidencial pode gerar volatilidade à bolsa brasileira, mas, também neste caso, o administrador da BlackRock argumenta que esta seria uma oportunidade para compra de papéis. A capitalização da Petrobras também pode afetar a Bolsa. "Pode impactar a forma como o estrangeiro olha a Bolsa", ponderou, em face da magnitude dos recursos que devem estar envolvidos nesta operação.

 

Sobre as preferências na gestão dos fundos dedicados à América Latina, Landers diz que uma parcela entre 60% e 65% do portfólio para a região concentra-se em ações relacionadas às economias domésticas. O restante está alocado nos chamados papéis cíclicos, como Petrobras e Vale. "Nosso viés é setor doméstico na região e no Brasil", afirmou. No caso do País, esta preferência deve-se ao crescimento da classe média.

 

O administrador trabalha com a expectativa de que o País deve crescer 5,5% ou mais em 2010, e o consumo doméstico, em particular, deve ter expansão a uma taxa de 10% no ano. "Um soluço na China ou nos Estados Unidos não deve ter impacto muito grande no Brasil. A economia do País é relativamente fechada e foi um dos fatores que ajudaram o país na crise (internacional)".

 

No país, em particular, o gestor destaca no seu portfólio os papéis de bancos, como Itaú Unibanco e Bradesco, os papéis do setor imobiliário, com construtoras como Cyrela e outras voltadas para a população com renda média e baixa, e os de consumo, como Ambev.

 

No final de 2009, com a compra da Barclays Global Investors, a BlackRock, de forma geral, chegou a dobrar a participação acionária em algumas companhias brasileiras. A instituição, ponderou Landers, está "confortável" com a posição agregada que tem nas brasileiras.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.