GABRIELA BILÓ/ESTADÃO
GABRIELA BILÓ/ESTADÃO

Ibovespa recua 1,34% e fecha aos 82.766,73 pontos influenciada pelo petróleo

Ações da Petrobrás também caíram durante a sessão desta quarta-feira; dólar sobe para R$ 3,2747

Simone Cavalcanti, O Estado de S.Paulo

07 Fevereiro 2018 | 18h41

As cotações do petróleo foram o fiel da balança para determinar as perdas na sessão de negócios desta quarta-feira, 7, quando o Ibovespa recuou 1,34%, aos 82.766,73 pontos. Na primeira parte do pregão, o índice à vista chegou a firmar alta, mas, após divulgação de dados sobre os maiores estoques da commodity pelo Departamento de Energia dos Estados Unidos, os preços apresentaram forte queda levando à reboque as ações da Petrobrás e, logo depois, das outras blue chips.

O dólar fechou cotado a R$ 3,2747 no mercado à vista, em alta de 0,98%, em sintonia com a valorização observada ante moedas fortes e emergentes. Pela manhã, a cotação chegou a cair pontualmente, atingindo a mínima de R$ 3,2383 (-0,14%). Na máxima, à tarde, bateu os R$ 3,2841 (+1,27%).

Por trás dessa movimentação da Bolsa, segundo analistas, está o receio dos investidores com a possibilidade de ajustes mais fortes das bolsas americanas, que já devem estar no último ciclo de alta.

"O medo de um ajuste mais forte do mercado americano é latente. A falta de apetite pelo risco tem como consequência a queda nas cotações das commodities e nos mercados de economias ligadas a elas", disse Rafael Figueredo, Eleven Financial.

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Para Pedro Galdi, analista da Magliano Corretora, a percepção de risco com a cena externa está ligada aos possíveis ajustes da política monetária do Federal Reserve (Fed). "O investidor ainda está atordoado e os mesmos fatores sobre a expansão da economia mundial continuam valendo. Não há nada novo, só que as bolsas subiram muito e agora os mercados estão tomados por um sentimento de cautela", disse.

Nesse sentido, contaminou os negócios com os investidores se concentrando na ponta vendedora. Assim o giro financeiro chegou a R$ 11,9 bilhões. A B3 informou nesta quarta-feira, 7, que, em fevereiro, o fluxo estrangeiro passou a ser negativo em R$ 585,315 milhões. O valor é resultado de compras de R$ 14,757 bilhões e vendas de R$ 15,342 bilhões. No entanto, em 2018, o saldo segue positivo e está em R$ 8,964 bilhões.

Shin Lai, analista da Upside Investor Research, afirma que, além do exterior, há um fator doméstico que ainda conta para a tomada de decisão. Hoje, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, disse que as discussões para a reforma da Previdência devem se estender até dia 28, e, não até dia 20, quando estava prevista anteriormente a votação do texto.

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Muito embora boa parte dos analistas do mercado acionário diga que a não aprovação desta reforma já está precificada, Lai ressalta que a sinalização de dúvida que o governo e parlamentares dão traz incerteza não apenas sobre a votação, mas em como o Brasil ficará em um cenário sem ajuste fiscal.

Figueredo dá ênfase à influência da política fiscal sobre o crescimento a economia brasileira e, por consequência, às expectativas para o prosseguimento da alta da Bolsa. "O mercado brasileiro guarda ímpeto para tendência de alta, mas a política fiscal vai determinar se vai crescer mais ou menos."

Um operador complementa que é preciso considerar um fator técnico que agrega volatilidade às sessões de negócios nesta semana que antecede o Carnaval: o vencimento de opções sobre o Ibovespa acontece na quarta-feira de Cinzas, após dois dias em que o mercado local não funciona enquanto as bolsas globais, sim.

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Os papéis ON e PN da Petrobras encerraram a sessão com perdas de 2,87% e 2,75%, respectivamente. Vale ON recuou 1,79% na contramão do minério de ferro no porto de Qingdao, na China, onde fechou em alta de 1,69%. As blue chips do setor financeiro, que respondem por cerca de 25% da carteira teórica, também tiveram queda de quase 2% à exceção do Banco do Brasil que operou no positivo, mas perto da estabilidade, muito em função da expectativa favorável para o seu balanço, segundo Lai. As ações do Itaú Unibanco PN recuaram 2,37%, Bradesco PN, 1,50% enquanto as Units do Santander caíram 1,91%. 

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