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Bolsa avança com Petrobrás e Vale e dólar sobe na contramão do exterior

Mercado de ações foi influenciado por balanços de empresas; disputa técnica se refletiu na cotação da moeda, que contrariou o viés de baixa em relação a outras divisas

FABRÍCIO DE CASTRO, CLAUDIA VIOLANTE, O Estado de S. Paulo

30 Outubro 2015 | 17h49

Em um dia de agenda esvaziada, a Bolsa fechou em alta de 0,53%, aos 45.868,82 pontos, e o dólar à vista terminou o dia com avanço de 0,15%, aos R$ 3,8596. Na mínima da sessão, a moeda marcou R$ 3,8309 (-0,59%) e, na máxima, atingiu R$ 3,8880 (+0,89%). 

A Bovespa acabou se fiando em números corporativos. À tarde, de olho em Wall Street, oscilou parte do período ao redor da estabilidade, mas na reta final firmou os ganhos que carregou até o final. Na mínima, marcou 45.401 pontos (-0,50%) e, na máxima, 45.975 pontos (+0,76%). Na semana, cedeu 3,63%, mas em outubro acumulou ganho de 1,80%. No ano até agora, entretanto, quem investiu na Bovespa perdeu 8,28%. O giro financeiro negociado hoje totalizou R$ 6,818 bilhões.          

Dos balanços divulgados, destaque para BRF, cujas ações desabaram 9,56%. Os números vieram aquém do esperado pelos analistas e, não bastasse isso, também desagradaram o fato de a companhia decidir não reajustar preços neste ano e o rebaixamento das recomendações pelo Itaú BBA e pelo BofA Merrill Lynch. 

Outro destaque foi o Pão de Açúcar, cujos papéis PN (que dão prioridade a dividendos) fecharam em alta de 1,97%, apesar do balanço abaixo das expectativas. A varejista anunciou prejuízo consolidado de R$ 122 milhões no terceiro trimestre, revertendo lucro de R$ 391 milhões ante igual período do ano passado. 

As ações ON (que dão direito a voto em assembleia) da Vale tiveram ganho firme, de 5,70%; a PNA (preferência por dividendos) subiu 5,25%. Já Petrobras ON avançou 0,86% e o papel PN teve alta de 1,31%.

Dólar. A disputa pela formação da ptax (média das cotações feita a partir de quatro coletas durante a primeira parte da sessão) de fim de mês conduziu os negócios no câmbio, pelo menos até as 13h. Investidores puxavam o dólar de um lado para outro de acordo com seus interesses na taxa, que servirá para liquidar os derivativos cambiais (contratos com cotação pré-fixada da moeda) que vencem na próxima terça-feira, 3 de novembro. Definida a ptax, o dólar se firmou em leve alta durante a tarde, com investidores adotando certa cautela antes do fim de semana prolongado no Brasil. 

Os momentos de coleta pelo Banco Central para formação da ptax (perto de 10h00, 11h00, 12h00 e 13h00) foram de maior pressão sobre as cotações. Enquanto os vendidos (posicionados na baixa do dólar) atuavam para a moeda cair, os comprados (posicionados na alta) manobravam para ela subir. 

Isso durou até o início da tarde, quando o BC indicou que a ptax havia ficado em R$ 3,8589. Este valor será usado na liquidação dos derivativos cambiais de novembro. Hoje, a ptax cedeu 1,88% e, no acumulado de outubro, recuou 2,87%, o que sugere certa vantagem para os vendidos neste mês. Isso ocorreu após, em meses anteriores, os comprados terem tido clara vantagem sobre os vendidos, em função da disparada do dólar com a crise política. 

Após esse movimento, o dólar ficou mais livre para oscilar. E isso significou leves ganhos ante o real, com alguns operadores adotando posições mais defensivas antes do fim de semana prolongado no Brasil - na próxima segunda-feira, é feriado de Finados, mas os mercados funcionam normalmente nos EUA e na Europa. Até agora, o giro à vista no câmbio soma US$ 1,261 bilhão, sendo que os negócios diminuíram durante a tarde.    

Os ganhos do dólar no Brasil ocorreram a despeito de, no exterior, a moeda americana ter mantido o viés de baixa.


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