Ibovespa tem pior desempenho entre bolsas emergentes

Apesar dos solavancos, o mercado acionário dos EUA segue em território positivo em agosto, enquanto o desempenho das principais Bolsas emergentes mostra grande dispersão. Entre os BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China), a Bolsa brasileira apresenta o pior resultado, com o Ibovespa acumulando queda, em dólares, de 2,52% entre 31 de julho e o fechamento de ontem. A realização de lucros e o forte peso das commodities no índice brasileiro estão entre os motivos apontados para o recuo. Índia e Rússia, em contrapartida, se destacam entre os mercados de melhor retorno no mês numa lista que inclui cerca de 80 bolsas mundiais. As ações indianas subiram 6,43%, enquanto as russas, favorecidos pelo forte peso do petróleo em sua economia, tiveram alta de 6,23%. A Bolsa da China ficou praticamente inalterada no período, com queda de apenas 0,32%, e um outro grande mercado emergente, o México - também grande produtor de petróleo -, subiu 3,88%. As Bolsas norte-americanas, por sua vez, ainda mostram retornos moderados este mês, apesar dos temores de que a economia dos EUA esteja a caminho de um "hard landing". O Nasdaq, acumulando alta de 2,06%, aparece no topo da lista, seguido pelo Standard & Poor´s 500, com avanço de 1,45%, e pelo Dow Jones, que subiu 1,27% desde o início de agosto. É preciso lembrar que este período reflete o alívio dos investidores com a pausa na alta dos juros decidida na última reunião do Fed e os dados aparentemente benignos de inflação nos EUA. "Agora estamos entrando numa segunda psicose, a do temor de desaceleração acentuada e até mesmo de recessão nos EUA", alerta o chefe de pesquisa de asset management do BNP Paribas, Fernando Hadba. Os dados sobre o mercado de imóveis divulgados ontem sugerem uma desaceleração maior do que a prevista das atividades e podem trazer os índices acionários norte-americanos para baixo. "A Bolsa sempre reage melhor ao crescimento da economia do que ao juro mais baixo", lembra o analista. Segundo Hadba, a Bovespa, na comparação com os demais BRIC, caiu mais porque tinha subido mais, o que favorece agora uma realização de lucros entre os estrangeiros que vinham impulsionando os ganhos no mercado local. Apesar da queda no mês, no ano o Ibovespa ainda acumula alta de 15% em dólares (6% em reais), ressalta. "Está havendo uma retração natural dos estrangeiros, num momento de aversão ao risco um pouco maior por causa das incertezas sobre a economia global e em que a valuation do mercado brasileiro já não parece tão interessante." Hadba lembra que a Bovespa se aproximou dos 42 mil pontos em maio, o que elevou a valuation de papéis brasileiros. "Continuamos sendo um mercado barato na comparação com outros, mas já não tão barato", diz. A liquidez relativamente boa do mercado brasileiro contribui para a realização entre os estrangeiros. "Além disso, no caso brasileiro, a Bolsa tem um peso de commodities muito forte", afirma o analista. Ele explica que, embora as commodities ainda não tenham apresentando uma queda maior, pesa sobre elas o medo de desaquecimento nos grandes mercados consumidores, sobretudo Estados Unidos e China. A Bolsa do México, por exemplo, tem um peso maior de papéis de varejo e, talvez por isso, não tenha sido tão afetada. Um relatório sobre recursos naturais divulgado ontem pelo banco de investimentos UBS reitera que os investidores foram dominados recentemente pelos temores de que os preços das commodities estejam a caminho de uma forte correção por causa de uma desaceleração na demanda na China e nos EUA. Mas, para o UBS, a contínua industrialização e o aumento da renda per capita nas economias emergentes devem estimular a demanda pelos metais básicos e pela energia. Além disso, alguns analistas lembram que o quarto trimestre tradicionalmente é de maior atividade industrial, o que deve manter a demanda por commodities metais e petróleo aquecidas, limitando o espaço para uma correção mais acentuada dos preços.

Agencia Estado,

24 de agosto de 2006 | 08h11

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