Paulo Vitor/Estadão
Paulo Vitor/Estadão

Dólar e Bolsa recuam com dados das contas públicas e decisão sobre juros nos EUA

Números mostraram cenário de déficit primário consistente, mas não foram tão ruins quanto o projetado pelo mercado; decisão do BC dos EUA de manter a taxa de juros no país também teve impacto nos negócios

FABRÍCIO DE CASTRO, CLAUDIA VIOLANTE, O Estado de S. Paulo

29 de outubro de 2015 | 17h57

Os dados fiscais divulgados nesta quinta-feira, 29, mostraram um cenário de déficit primário consistente, mas não tão ruim quanto o projetado pelo mercado. Isso favoreceu a queda do dólar ante o real, em especial no período da tarde. O resultado foi a queda de 1,58% do dólar à vista no Brasil, aos R$ 3,8537. No mês, a moeda cede 2,40% e, no ano, sobe 44,93%.

Pela manhã, a moeda chegou a dar continuidade aos ganhos vistos na quarta-feira, após o Federal Reserve (Fed, o Banco Central americano) sinalizar que a possibilidade de alta de juros será avaliada em dezembro. Assim, o dólar à vista marcou a máxima de R$ 3,9541 (+0,98%) às 10h19. 

Já a Bolsa recuou pelo quinto dia consecutivo, ainda penalizada por balanços, pelos indicadores fracos da economia brasileira, e também refletindo a leitura do mercado sobre a decisão do Fed.

Com isso, o Ibovespa (principal índice de ações do mercado brasileiro) fechou em queda de 2,38%, na mínima do dia, aos 45.628,35 pontos. Esse é o menor nível desde o dia 1º de outubro, quando terminou aos 45.313,27 pontos. Na máxima da sessão, o índice operou estável, aos 46.740 pontos. No mês, acumula alta de 1,26% e, no ano, recuo de 8,76%. Foi a quinta queda seguida, período no qual acumulou -4,48%. O giro financeiro totalizou R$ 5,376 bilhões. 

Contas públicas. O Tesouro informou nesta quinta-feira, 29, m déficit primário para o governo central (formado por Previdência, Banco Central e Tesouro) de R$ 6,932 bilhões em setembro. O resultado de setembro foi ruim - ainda mais por ter elevado o déficit primário acumulado em 2015 para R$ 20,938 bilhões, o pior resultado da história -, mas foi um pouco melhor que o esperado. A mediana das expectativas do mercado financeiro indicava saldo negativo de R$ 13,600 bilhões.

Neste cenário, o dólar começou a desacelerar gradativamente seus ganhos ante o real no fim da manhã até que, no início da tarde, passou a registrar perdas. O recuo se intensificou porque investidores que estão vendidos em derivativos cambiais (posicionados na queda do dólar) passaram a pressionar para baixo as cotações à vista, de tal forma que amanhã, quando será definida a ptax de fim de mês, eles já tenham alguma vantagem na disputa com os comprados (posicionados na alta).

Além disso, surgiram mais dados fiscais. O Banco Central informou que o setor público consolidado (formado por governo central, Estados, municípios e estatais, com exceção de Petrobras e Eletrobras) teve déficit primário de R$ 7,318 bilhões em setembro, também melhor que o resultado negativo de R$ 8,350 bilhões projetado pelo mercado.

Bolsa. Na Bovespa, apesar de os dados fiscais menos ruins, a percepção geral dos investidores em relação ao Brasil continuou negativa, o que amplificou o efeito trazido pela decisão do Fed de manter a atual taxa de juros no país. A simples perspectiva de mais juros nos EUA, conforme profissionais, já tira a atratividade das ações, sobretudo de emergentes e de países com problemas, como o Brasil. Estrangeiros atuaram na ponta de venda de ações.

No fim do dia, a Usiminas, que indicou prejuízo líquido de R$ 1,042 bilhões no terceiro trimestre ante R$ 24 milhões de perdas no mesmo período do ano passado, registrou perdas de 3,44% nos papéis PNA e de 5,95% nos ON. CSN ON recuou 6,51%.

Petrobrás também acabou perdendo força e virando para baixo, embora tenha operado no azul em grande parte do dia. A ação ON cedeu 1,06% e a PN caiu 1,17%.

Gerdau, com prejuízo de R$ 1,958 bilhões no terceiro trimestre, caiu 1,27% na PN, enquanto Metalúrgica Gerdau PN cedeu 1,95%.

Bradesco PN cedeu 4,49%, após o balanço desapontar, e a ação ON recuou 3,89%. 

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