IIF prevê que 2015 e 2016 serão anos difíceis para o Brasil

O Instituto Internacional de Finanças (IIF, na sigla em inglês) prevê que 2015 e 2016 serão anos difíceis para o Brasil, por conta do ajuste fiscal e monetário necessário depois de um longo período de políticas expansionistas e erradas que minaram a confiança de empresários e consumidores. "Sem o ajuste, as condições piorariam ainda mais, fazendo a perda do rating grau de investimento quase uma certeza", afirma um documento do IIF avaliando a economia brasileira. A piora do humor dos brasileiros com o governo e os efeitos do escândalo de corrupção na Petrobras são um risco político significativo e tornam o ajuste mais difícil, alerta o documento.

ALTAMIRO SILVA JUNIOR, CORRESPONDENTE, Estadão Conteúdo

15 de março de 2015 | 22h58

"Com pouco espaço para derrapagens, o ajuste da política econômica em curso deve ser mantido mesmo com forte resistência política. Não há espaço para hesitação", afirma o relatório. Para o IIF, a melhora das contas fiscais é essencial para garantir um crescimento sustentável do Brasil no futuro e resgatar a confiança dos empresários. "A economia está a caminho de um ajuste áspero em 2015 e 2016, após anos de políticas expansionistas indevidas que erodiram a confiança empresarial."

O relatório destaca em vários momentos que o ajuste na economia não será fácil, pois precisa ser tocado em meio aos desdobramentos das investigações da Operação Lava Jato na Petrobras, a seca afetando a atividade em algumas regiões do país e ameaçando com racionamento de água e energia elétrica e a deterioração do mercado de trabalho. O escândalo na Petrobras, avalia o IIF, tem consequências políticas imprevisíveis e a piora do humor da população brasileira é um "risco político significativo".

"O escândalo (da Petrobras) não está apenas pesando em uma economia já fraca, o que vai tornar mais difícil o cumprimento de uma meta fiscal exigente, mas também pode limitar severamente a influência política do governo", afirma o IIF no documento. "O escândalo poderia infligir danos severos ao governo e tirar dos trilhos o ajuste na economia."

Mesmo com algumas medidas fiscais e monetárias já tomadas este ano, o IIF destaca que a confiança dos agentes continuou se deteriorando. Para os analistas da instituição, há uma crescente percepção de que as coisas podem piorar antes de melhorar. Indicadores divulgados este mês mostram que os índices de confiança da indústria, comércio, serviços e construção continuam em queda. Nos serviços, por exemplo, o indicador calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) atingiu no mês passado o menor nível de toda a série histórica do índice, iniciada em junho de 2008. A expectativa do IIF é que os índices comecem a se recuperem em 2016.

O IIF é um dos mais pessimistas com as projeções de crescimento para o Brasil este ano. O instituto prevê contração de 1% para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2015. O boletim Focus, que tem a média das estimativas do mercado financeiro brasileiro, divulgado ontem, mostra que a aposta por enquanto é de retração de 0,66%. Para 2016, a estimativa do IIF é de expansão de 0,8%, abaixo da divulgada em fevereiro, quando o instituto previa crescimento de 1,1%.

Juros em alta

O IIF espera nova alta de juros pelo Banco Central para conter a inflação em persistente alta, mas só vê os índices de preços convergindo para a meta de 4,5% em 2017. "Mais aperto é esperado (na política monetária) na medida em que a equipe econômica trabalha duro para conseguir corrigir excessos anteriores da política econômica." A previsão da instituição é que a Selic termine o ano em 13%. Para a inflação (IPCA), a estimativa é de alta de 7,2% este ano e 5,4% no ano que vem.

O relatório de 12 páginas do IIF recebeu o nome de "Brasil: a longa subida de volta", assinado pelo economista-chefe para América Latina, Ramón Aracena, e pela analista Julia Smearman. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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