Incerteza quanto à oferta da Líbia derruba petróleo

Os contratos futuros de petróleo operam perto da estabilidade nesta segunda-feira, 14, em meio a incertezas sobre o retorno completo da commodity vinda da Líbia ao mercado e desdobramentos na crise geopolítica do Leste Europeu.

LUCAS HIRATA, COM INFORMAÇÕES DA DOW JONES NEWSWIRES, Agencia Estado

14 de abril de 2014 | 08h09

No fim de semana, o porta-voz da Companhia Nacional de Petróleo da Líbia, Muhammad el-Harari, informou que o porto petrolífero de al-Hariga, no leste do país, irá carregar a primeira embarcação de petróleo em oito meses até o início desta segunda-feira e outro terminal também reiniciou as operações.

Os portos haviam sido tomados por rebeldes do leste da Líbia em julho do ano passado, em meio a uma campanha para a independência da região de Cirenaica. O governo líbio diz que o bloqueio já custou ao país a perda de US$ 14 bilhões em receitas.

O acordo selado no dia 6 previa que os rebeldes entregassem dois dos quatro terminais até a semana passada e cedesse outros dois em até um mês, desde que as negociações sejam concluídas com sucesso.

Apesar do progresso nos dois locais, ainda há incerteza sobre a retomada completa de operações. Segundo Miswin Mahesh, analista de petróleo do Barclays em Londres, não foram ouvidas notícias positivas no que se refere a outros grandes portos na Líbia, por isso o mercado está se ajustando a promessas do país e o retorno completo incerto da oferta, acrescentou.

Por outro lado, as tensões no Leste Europeu estão fornecendo suporte para os contratos. No fim de semana, a Ucrânia anunciou uma operação antiterrorismo em larga escala após um oficial ucraniano das forças especiais morrer em confronto com ativistas pró-Moscou no leste do país.

Embaixadores dos EUA e da Rússia trocaram acusações sobre o aprofundamento da crise na Ucrânia durante uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) realizada ontem à noite e requisitada pela Rússia.

O embaixador russo Vitaly Churkin negou as acusações de que Moscou esteja por trás da escalada da violência e disse que a Ucrânia está usando forças radicais neonazistas para desestabilizar a região. Já a embaixadora norte-americana Samantha Power acusou Moscou de incentivar o conflito através de desinformação e que os manifestantes pró-Rússia seriam militares profissionais.

"O petróleo Brent é dividido entre os potenciais desenvolvimentos de alta da Rússia e os desdobramentos de baixa da Líbia", escreveu David Hufton, da corretora PVM, em uma nota a clientes.

Às 8h (de Brasília), o brent para maio subia 0,20%, a US$ 107,52 por barril, enquanto na Nymex o petróleo para o mesmo mês cedia 0,04%, a US$ 103,70 por barril.

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