Inco é fator de alta para ações da Vale, dizem analistas

A aquisição da mineradora canadense de níquel Inco pela Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) é considerada positiva por analistas, que avaliam a operação como fator de alta, no longo prazo, para as ações da empresa negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo. A compra da Inco significa a entrada da Vale em um novo mercado e a internacionalização dos ativos da companhia, num cenário de alta de preços de níquel decorrente de demanda superior à oferta. "A Vale tinha apenas 3% de seus ativos no exterior e, com a compra da Inco, dá um salto expressivo nessa participação. A compra representa também mais proximidade da Vale com os Estados Unidos", diz um especialista. Segundo ele, deve haver volatilidade no mercado acionário no curto prazo, "até o mercado ter a real noção do negócio". No longo prazo, os papéis devem operar em alta. Para o analista Guilherme Marins, da Ativa, com a distribuição de parte dos ativos no Canadá a Vale "minimiza os riscos políticos brasileiros". Ele vê uma tendência de alta para as ações da Vale nos próximos dois ou três anos. "A Inco é um grupo forte, com grande presença no mercado mundial de níquel", diz Marins, destacando que os preços do metal estão altos diante da pressão da demanda. Na segunda-feira, os contratos de níquel atingiram nova máxima recorde de US$ 32.700,00 por tonelada na London Metals Exchange (LME). Uma fonte, que prefere não se identificar, considera que os preços do níquel deverão se manter em patamares elevados, próximos ou levemente abaixo dos atuais, nos próximos anos. "A Vale terá no níquel a mesma vantagem que tem hoje no minério de ferro, ou seja, por atuar num mercado com poucos fornecedores, pode coordenar a velocidade de expansão da produção para que os preços permaneçam altos", diz o analista. Ele ressalta que, com a Inco, a Vale vai dominar o mercado de níquel juntamente com a russa Norilsk.

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