Índice Dow Jones tem pior mês desde fevereiro de 2009

Em termos da queda porcentual do índice, este foi o pior maio desde 1940

Renato Martins, da, Agência Estado

28 de maio de 2010 | 18h47

O mercado norte-americano de ações fechou o dia em queda, com o índice Dow Jones registrando seu pior mês desde fevereiro de 2009. A queda de 871,98 pontos sofrida pelo índice foi a maior de todos os tempos para o mês de maio. Em termos porcentuais, este foi o pior maio desde 1940.

No caso do índice Nasdaq, este foi o pior mês em dois anos e o pior maio em dez anos. Já o S&P-500 teve, em maio, sua maior queda porcentual desde fevereiro de 2009, sendo o pior mês de maio desde 1962.

Ao fim da sessão de hoje, o Dow Jones registrou queda de 1,19%, aos 10.136,63 pontos. Já o Nasdaq fechou em baixa de 0,91%, aos 2.257,04 pontos, enquanto o S&P 500 encerrou o dia em queda de 1,24%, aos 1.089,41 pontos. O Nyse Composite fechou em baixa de 1,48%, aos 6.791,57 pontos.

Na semana, o Dow Jones acumula queda de 0,56%, o Nasdaq registra alta de 1,26% e o S&P 500 apresenta ganho de 0,16%. Em maio, o Dow acumulou queda de 7,92%, o Nasdaq, perda de 8,29% e o S&P-500, baixa de 8,20%. Em 2010, a queda acumulada dos índices é de 2,79%, 0,53% e 2,30%, respectivamente.

Vários fatores contribuíram para a queda de hoje, entre eles a decepção dos participantes do mercado com os indicadores norte-americanos de gastos do consumidor e de atividade industrial na região de Chicago (índice dos gerentes de compras). As ações do setor financeiro reagiram negativamente à aprovação, pela Câmara dos EUA, de um aumento de impostos para os gerentes de fundos de investimentos e dirigentes de companhias multinacionais.

As ações do setor de petróleo caíram depois de o presidente dos EUA, Barack Obama, prorrogar a moratória sobre a perfuração de novos poços em mar profundo. O rebaixamento do rating (classificação de risco) soberano da Espanha pela Fitch, por sua vez, teve impacto no mercado de câmbio e nos preços das commodities (matérias-primas) e das ações.

"Todas essas coisas fazem a gente pensar muito sobre para onde vamos a partir daqui. O apetite por risco não é o mesmo de um mês atrás. Ainda há muito vento contrário, sugerindo que a economia sofrerá ainda mais moderação", comentou Christian Hviid, da Genworth Financial Asset Management.

Para ele, o mercado digeriu com cautela os indicadores divulgados hoje, "à luz da revisão para baixo do PIB (Produto Interno Bruto) que vimos ontem. Olhando com mais cuidado, o PIB mal está crescendo, a não ser pela recomposição de estoques. Isso põe em questão a sustentabilidade da recuperação".

Entre as componentes do Dow Jones, os destaques negativos foram Disney (baixa de 2,76%), Bank of America (queda de 2,72%) e Cisco Systems (recuo de 2,15%). No setor de petróleo, os ADRs (recibos de ações) da britânica BP, que ainda luta para conter o vazamento no Golfo do México, caíram 5,4%. Outras empresas do setor de perfuração de petróleo no mar também caíram, como Transocean (baixa de 4,9%), Cameron International (queda de 4,9%) e Halliburton (recuo de 8,0%).

Tudo o que sabemos sobre:
açõesBolsasNova YorkDow Jones

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.