Índios provocam incêndio na propriedade da Aracruz

Cerca de 150 índios provocaram um incêndio e voltaram a cortar árvores na propriedade da empresa Aracruz Celulose, no norte do Espírito Santo, como forma de pressionar o Ministério da Justiça a decidir sobre a demarcação de terras indígenas na região. Índios das tribos Tupiniquim e Guarani querem acelerar o processo administrativo que estuda a ampliação em 11 mil hectares da reserva indígena de Aracruz, quase toda área em terras de propriedade da empresa. Os 18 volumes de documentos que estão sendo analisados pela Fundação Nacional do Índio (Funai) demonstram que essas terras foram ocupadas historicamente pelos indígenas. A Aracruz contesta essa informação, inclusive com fotos aéreas antigas da região. Segundo o gerente regional florestal da Aracruz Celulose, Marcelo Ambrogi, os funcionários da empresa vêm sendo ameaçados por índios e representantes de movimentos sociais, como o Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST), desde a semana passada, quando começaram a cortar árvores. Hoje, ainda segundo Ambrogi, quatro funcionários foram cercados e tiveram suas motosserras roubadas. Em seguida, um grupo de cerca de 150 índios ateou fogo em algumas árvores e começou a cortar outras. O incêndio foi controlado pela própria equipe de proteção florestal da empresa. "O poder público se omitiu e só tem quatro carros de polícia assistindo a tudo sem fazer nada", disse Ambrogi.Segundo ele, os manifestantes também estão obstruindo as estradas que levam às plantações, parando os ônibus e retirando de dentro deles funcionários com o uniforme da Aracruz Celulose. De acordo com as estimativas da Aracruz Celulose, cerca de seis mil árvores de eucaliptos foram queimadas e cortadas nos últimos dias, numa área de cem mil, causando um prejuízo de um milhão de reais.O cacique Jaguaeté, que participa do protesto, admitiu que tupiniquins e guaranis impediram a retirada de árvores já derrubadas na semana passada e que os manifestantes estão colocando fogo em eucaliptos. Ele disse que os índios só deixarão a área depois de uma resposta do ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos. A Funai informou que não tem previsão de quando terminará de analisar o processo, que só então será enviado à análise jurídica do Ministério da Justiça. Caso o ministro aprove o parecer da Funai pela ampliação, publicará um decreto. O processo então volta à Funai para demarcação e só então vai para a Presidência da República, que homologa a decisão. Mesmo após ser homologada, a regularização fundiária ainda pode ser alvo de contestação judicial, como é o caso da reserva Nhaderu Marangatu, no Mato Grosso do Sul, que teve sua demarcação suspensa pelo Supremo Tribunal Federal dias depois de ter sido homologada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no ano passado.

Agencia Estado,

11 de setembro de 2006 | 19h58

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