Indústria de fundos brasileira é a 10ª maior do mundo

Com patrimônio líquido já perto de R$ 900 bilhões (R$ 872 bilhões no final do mês passado), a indústria brasileira de fundos de investimentos é a décima maior do mundo, segundo afirmou o superintendente de Relações com Investidores Institucionais da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) Carlos Eduardo Sussekind, em palestra na Câmara de Comércio Americana. O dado foi apurado pela CVM em pesquisa junto a 42 países. "Esse é um ativo muito importante no Brasil que devemos preservar. São raros os países emergentes com uma estrutura de fundos semelhante à nossa", disse Sussekind. Na sua opinião, o forte desenvolvimento da indústria reflete a confiança do investidor brasileiro no segmento. Ele comparou a situação brasileira com a da Argentina onde a indústria é muito incipiente. Sussekind enumerou as mudanças que a CVM fez no setor nos últimos quatro anos após assumir a responsabilidade pela fiscalização do segmento que antes era realizada pelo Banco Central. A ênfase da entidade sempre foi buscar a proteção ao investidor, regras claras e transparências nas informações, disse. Nesse sentido, ele citou que a CVM está desenvolvendo um projeto com o Banco Central para ter acesso a informações sobre a saúde financeira das empresas fechadas (não negociadas nas Bolsas de Valores). Ele explicou que o BC já tem acesso a esse tipo de dados através dos bancos comerciais que são obrigados a informar à autoridade monetária todas as vezes que uma empresa atrasa o pagamento, obrigando o banco a fazer provisões para devedores duvidosos. Algumas dessas empresas (fechadas) podem ter títulos colocados junto aos fundos de investimento e a CVM quer ter acesso a essa informação para poder fiscalizar melhor os próprios fundos. Sussekind considera que no Brasil ainda não há cultura para confiar apenas na avaliação de risco feita pela agências de rating. "Quem faz o rating das agências de rating?", perguntou. Ele lembrou que algumas das maiores agências mundiais de rating já estão no Brasil, mas a CVM não pode inibir a operação de outras empresas que queiram atuar no setor. Por isso, Sussekind alertou que a CVM tem sempre de fazer com que os fundos de investimentos detalhem os riscos que estão assumindo para que isso seja transparente aos investidores. "O investidor que queira assumir riscos tem de ser informado do tipo da carteira dos fundos de investimento dos quais está comprando as cotas", explicou. Ele informou que a área técnica da CVM está concluindo as alterações na Instrução 409 que regula os fundos de investimento no Brasil.

Agencia Estado,

16 de agosto de 2006 | 16h40

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