Industriais vão acompanhar de perto tramitação do PAC

Os empresários da indústria decidiram hoje, em reunião do Fórum Nacional da Indústria, que vão montar um centro de acompanhamento da tramitação das medidas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) no Congresso Nacional. Para o vice-presidente-executivo da Associação Brasileira da Infra-Estrutura e Indústria e Base (Abdib), Ralph Lima Terra, se não houver esse acompanhamento, o governo pode ter problemas na interpretação das medidas. "Já houve a apresentação de mais de 200 emendas. Vai ser uma loucura. Se não ajudarmos a implementar, as medidas vão emperrar", disse Lima Terra. Segundo ele, todas as entidades empresariais farão suporte ao Fórum Nacional da Indústria para que haja esse acompanhamento.Já para o presidente da Abdib, Paulo Godoy, é preciso não perder de vista "as outras tarefas" que precisam ser feitas como, por exemplo, as reformas estruturais e outras medidas que aumentem a competitividade do setor privado. Ele, no entanto, concorda com a decisão do Fórum Nacional, sobre a necessidade de acompanhamento das medidas do PAC. "A mobilização das entidades para fazer com que o PAC ocorra dentro dos prazos estabelecidos é muito importante", afirmou. Ele contou que a Abdib tem feito um acompanhamento de perto do andamento das medidas do PAC. Godoy disse que tem viajado sempre a Brasília e se reunido com todos os ministros envolvidos no programa, além do Tribunal de Contas da União e do Legislativo, para evitar que as medidas sejam desconfiguradas e também para esclarecer alguns pontos da legislação que, na sua avaliação, têm dupla interpretação. "Queremos fazer um arremate na legislação para não haver risco de cercear o alcance das medidas", disse.CNIO presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Netto, defendeu a criação do centro de acompanhamento porque, segundo ele, há risco das metas não serem atingidas. Monteiro Neto disse que vai sugerir ao governo que delegue a coordenação e a gestão de algumas ações ao setor privado, como por exemplo a realização de consultorias. Ele destacou, no entanto, que a agenda do setor industrial não está restrita às medidas do PAC. Para ele é preciso discutir novas medidas de redução tributária, que tenham caráter mais amplo, do que as anunciadas pelo governo, dentro do programa de aceleração. Para Monteiro Neto o setor de infra-estrutura é importante, mas não pode ser o único beneficiado. "Esperávamos medidas de caráter mais horizontal", disse o presidente da CNI, no Fórum Nacional da Indústria para avaliar o PAC. Segundo ele, as medidas de incentivo fiscal, dentro do PAC, ficaram reduzidas em função do aumento do salário mínimo. Monteiro Neto criticou a política definida pelo governo de reajuste do mínimo para os próximos anos. "Não é sustentável uma política de reajuste do salário mínimo atrelada ao piso da Previdência Social", afirmou. Ele disse que a necessidade de rever esse critério faz parte do esforço e da necessidade de redução dos gastos públicos.

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