Inflação baixa pressiona bolsas na Europa

Preocupações com a situação econômica da zona do euro, reforçadas pela confirmação de que a inflação no bloco está no menor nível em cinco anos, continuam pesando nas principais bolsas da região, que apresentaram fortes perdas nas primeiras horas de negócios, assim como no euro e nos bônus de países europeus considerados periféricos.

SERGIO CALDAS, COM INFORMAÇÕES DA DOW JONES NEWSWIRES, Estadão Conteúdo

16 de outubro de 2014 | 08h37

O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) do bloco que compartilha o euro subiu 0,3% em setembro ante igual mês do ano passado, registrando a menor alta anual desde outubro de 2009, segundo a Eurostat, a agência de estatísticas da União Europeia. O dado confirmou uma leitura preliminar que havia sido divulgada no fim do mês passado. Com isso, a taxa de inflação da zona do euro está abaixo de 1% há 12 meses seguidos. A meta de inflação do Banco Central Europeu (BCE) é de uma taxa ligeiramente inferior a 2%.

"Algo está claramente muito errado na zona do euro. Isso parece ser uma espiral deflacionária. É isso que está espantando os mercados no momento", comentou Jeremy Batstone-Carr, economista-chefe e estrategista da corretora Charles Stanley.

Os índices acionários europeus, que haviam ensaiado uma recuperação na abertura, reagiram em forte baixa aos últimos dados de inflação. O euro também ficou pressionado, enquanto os juros de bônus de países considerados periféricos, como Itália, Espanha, Portugal e Grécia, avançaram com força, refletindo a queda nos preços dos papéis.

Em relação à Grécia particularmente, o temor maior é em relação a um plano de Atenas de sair antecipadamente de seu programa de ajuda. "Os últimos movimentos do mercado implicam que a Grécia não tem a credibilidade ou capacidade de se virar por conta própria a essa altura", avaliou Jan von Gerich, estrategista-chefe do Nordea.

Outra notícia negativa na região veio dos números de comércio exterior. Embora o superávit comercial da zona do euro tenha avançado para 9,2 bilhões de euros (US$ 11,68 bilhões) em agosto, de 7,3 bilhões de euros em igual mês do ano passado, as exportações do bloco recuaram pelo terceiro mês seguido, mostrando queda de 0,9% ante julho. As importações tiveram queda ainda mais acentuada na comparação mensal, de 3,1%.

Com os indicadores adversos da zona do euro, que vieram após números decepcionantes da Alemanha, China e EUA, cresceram as preocupações com o desempenho da economia mundial e apostas de que o BCE será forçado a adotar novas medidas de estímulos, que podem incluir um plano de relaxamento quantitativo, ou seja, a compra em larga escala de bônus soberanos.

No âmbito geopolítico, a questão do ebola também continua alimentando a cautela na Europa, após a confirmação ontem de um segundo caso de contágio da doença nos EUA.

Às 8h22 (de Brasília), a desvalorização era generalizada nas principais bolsas europeias, com as perdas superando 3% nos chamados mercados periféricos. Londres caía 1,88%, enquanto Frankfurt tinha queda de 1,84% e Paris recuava 2,52%. Já em Madri, Milão e Lisboa, as baixas eram de 3,82%, 3,49% e 3,98%, respectivamente. No câmbio, o euro se enfraquecia a US$ 1,2745, de US$ 1,2836 no fim da tarde de ontem, e a libra seguia a mesma direção, sendo negociada a US$ 1,5989.

Entre as empresas, o grupo varejista Carrefour perdia 0,95% em Paris, após divulgar uma queda anual de 0,1% nas vendas do terceiro trimestre, a 21,08 bilhões de euros, enquanto a Nestlé recuava 3,29% em Zurique, depois de anunciar um declínio de 1,9% nas vendas dos primeiros nove meses do ano, e a farmacêutica irlandesa Shire tombava 9,65% em Londres, após o conselho executivo da norte-americana AbbVie retirar sua recomedação para a compra da companhia com sede em Dublin.

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