Inflação e atividade mais fracos abrem espaço para BC moderado

O próprio presidente do BC, Henrique Meirelles, deu sinais de que o ritmo dos juros poderia muda

Fernando Nakagawa, da Agência Estado,

21 de julho de 2010 | 20h34

Os argumentos para a redução do ritmo de aperto monetário vieram à tona nas últimas semanas. Indicadores

como a inflação mais baixa que o esperado e a atividade econômica em desaceleração surpreenderam positivamente o

mercado financeiro. Para analistas, esse quadro diminui os riscos e abre espaço para um Banco Central mais moderado.

O próprio presidente do BC, Henrique Meirelles, deu sinais de que o ritmo dos juros poderia mudar. Normalmente avesso à

imprensa, especialmente em dias que antecedem a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), ele falou dois dias

seguidos com a imprensa na semana passada para reafirmar que as decisões são tomadas "levando em conta todos os

dados existentes" até o dia da reunião.

 

Essa evolução positiva dos indicadores recentes gerou verdadeira reviravolta no mercado de juros futuros. Há duas

semanas, os negócios mostravam que era praticamente zero a chance de alta da taxa Selic inferior a 0,75 ponto

porcentual. Mas as apostas começaram a mudar ao longo da semana passada. Na última segunda-feira, foi o primeiro dia

em que a maioria das operações passou a apontar para o aumento de 0,50 ponto porcentual. Um dia depois, as apostas

se consolidaram com a deflação de 0,09% registrada no IPCA-15.

 

A inflação foi o número que abriu os olhos dos analistas para a chance de uma alta menos intensa da Selic, mais

especificamente o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) que marcou estabilidade em junho, abaixo de todas as

expectativas. Os preços seguiram no radar até horas antes da decisão, já que ontem o IPCA-15 de julho, uma prévia do

índice até o meio do mês, apontou deflação de 0,09%, também surpreendendo o mercado.

 

Essa percepção de desaceleração vai além dos preços. Na semana passada, o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br)

registrou estabilidade entre abril e maio. Calculado pelo próprio BC, o número mostra que a economia parou de crescer no

mês retrasado.

A lista de argumentos continua no emprego já que foram criados de 212,9 mil empregos formais em junho, abaixo do

registrado em maio e do previsto pelos analistas. Além disso, a arrecadação de impostos também ficou aquém do

esperado pelos economistas no mês passado. Juntos, os dois números reforçaram o entendimento de que a economia

está em um ritmo mais fraco que o previsto inicialmente.

Tudo o que sabemos sobre:
SelicInflaçãoCopom

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.