Inflação e dados americanos são foco para antever juro

Os indicadores da economia norte-americana e os dados domésticos de inflação vão dividir a atenção do mercado financeiro nesta semana que antecede a da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central. O Copom se reúne dias 18 e 19 para decidir sobre o rumo da taxa básica de juros (Selic). ?Será uma semana em que devem dominar as discussões e especulações sobre a possível decisão do Copom?, comenta Newton Rosa, economista da SulAmérica Investimentos. Ele diz que, com o nível moderado de atividade e sem sinais de pressão sobre a inflação, o BC tem espaço para continuar reduzindo gradualmente o juro. Os dados de inflação que serão divulgados devem definir as apostas do mercado, que inicia a semana alinhado à expectativa de corte de 0,50 ponto porcentual. ?Essa previsão ficou reforçada depois que o IPCA apontou deflação de 0,21% em junho, superior à estimada pelo mercado?, diz Newton Rosa. Ele prevê, contudo, que os próximos indicadores devem apontar uma redução no nível de deflação pelo fim das pressões temporárias provenientes da baixa dos preços de alimentos e do álcool combustível. E é isso que o mercado poderá conferir a partir desta semana, com a divulgação de dados da inflação corrente em julho. Na quarta-feira será conhecido o IPC-Fipe da primeira quadrissemana de julho, que, pelas projeções do mercado, deve apontar deflação de 0,20%, inferior à de 0,31% do mesmo período de junho. A primeira prévia do IGP-M de julho, que sai na quinta, está previsto em 0,20%, mais baixo que o de 0,27% de idêntico período de junho. O economista da SulAmerica diz que o destaque no cenário externo são os dados de vendas do comércio varejista em junho nos EUA que serão divulgados na sexta-feira. ?Os dados de atividade passaram a atrair maior interesse depois que o Fed (Federal Reserve, banco central americano) apontou o crescimento econômico como possível fator de pressão inflacionária.? A estimativa é de um crescimento de 0,4% na vendas, superior ao de 0,1% de maio. Segundo Newton Rosa, um número superior a 0,4% poderia provocar algum estresse no mercado. Outro dado americano que vai chamar a atenção, segundo ele, é o índice de preços das importações em junho, a ser conhecido também na sexta. A reunião do banco central do Japão, na quinta e sexta-feira, sobre política monetária, é outro evento que estará no foco do mercado. É forte a aposta de que, depois de cinco anos e meio de juro zero, a taxa básica japonesa suba para 0,25% ao ano.

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