Inflação pode romper teto da meta este ano

Para Alexandre Póvoa, do Modal Asset, "o grau de surpresa, mesmo para os que acertam a inflação, tem sido acima do esperado"

Luciana Xavier e Lucinda Pinto,

13 de junho de 2008 | 22h28

O diretor do Modal Asset Management, Alexandre Póvoa, disse que os índices de preços recentes vieram muito ruins e não descarta o risco de a inflação romper o teto de 6,5% da meta, fixada em 4,5%. A estimativa do Modal Asset é de que o IPCA fique em 6,3% este ano.   Ouça a entrevista  "O problema principal é que a inflação atual tem bastante de choque exógeno, mas também tem muito do desequilíbrio entre oferta e demanda. A demanda tem sido forte e a oferta não consegue suprir isso, o que pode criar um processo de inércia para o ano que vem", afirmou ao AE Broadcast Ao Vivo. Do lado da inflação, a pressão é maior por parte dos alimentos, mas também merece destaque a alta de serviços e IPA industrial "muito forte", formando um cenário que tem driblado as previsões de analistas, como mostraram os números do IPCA de maio e da primeira prévia do IGP-M de junho. "O grau de surpresa, mesmo para os que acertam a inflação, tem sido acima do esperado. Os números ruins não estavam na conta de ninguém. Nós somos Top 5 IPCA e para nós surpreendeu (o resultado do IPCA de maio e 1ª prévia do IGP-M. Acho pouco provável que o Banco Central não tenha sido surpreendido. Talvez em termos de atividade, o BC tenha tido mais informação que o mercado, mas em termos de inflação, acho que não", disse. O Modal Asset Management ficou em primeiro lugar no médio prazo e segundo lugar no curto prazo em suas projeções para IPCA entre todas as instituições de mercado segundo o boletim do Banco Central. Para ele, o resultado do IPCA de maio (0,79%) e a primeira prévia de junho do IGP-M (1,97%) deixam a ata da reunião de junho "um pouco atrasada", mas com pontos importantes a serem observados. "O conceito geral mostra o BC preocupado, o BC atento e com o tom de quem combate a inflação e não de quem tem uma ação preventiva", comentou. Póvoa acredita que o BC poderia sido mais agressivo na decisão de junho, quando elevou a Selic em 0,50 ponto porcentual, para 12,25%. "Acho que perdeu chance de ter dado 0,75 pp nessa (reunião) e ter ficado à frente da curva (de juros) de novo e reforçado a credibilidade. A razão de (o BC) se aventurar no 0,50 pp (de alta da Selic) é porque está contando com a ajuda fiscal", avaliou.   De qualquer modo, Póvoa acredita que uma alta de 0,75 pp da Selic virá na próxima reunião do Copom. Ele espera mais dois aumentos de 0,75 pp e duas de 0,50pp da taxa básica de juro, encerrando o ano em 14,75%. O diretor do Modal Asset acredita que o grau de pressão inflacionária vai continuar "como está" por enquanto. "Não vejo alívio de inflação e atividade nos próximos dois, três meses. Por isso, acho que o BC pode mudar para 0,75 pp na próxima reunião", explicou. Póvoa espera alguma desaceleração do lado da demanda, mas ressaltou que ela não será imediata. "Apesar do grau de investimento, a janela externa não parece estar tão aberta como se imaginava. As taxas altas estão criando dificuldade maior aos bancos para captar", comentou.   Póvoa afirmou ainda que a inércia inflacionária deverá ser discutida em algum momento este ano pelo BC. "Mas não é hora de o BC citar a inércia. Ele só deve citar isso por volta de setembro, outubro deste ano", disse. Segundo ele, "um ajuste para cima da meta de 2009 depende de quanto será a inércia".

Tudo o que sabemos sobre:
AE Broadcast Ao Vivo

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.