Influenciado pelo impasse nos EUA, dólar fecha em leve alta de 0,41%

Moeda americana encerrou o pregão a R$ 2,184, à espera de solução para possível estouro da dívida americana

Fabrício de Castro, da Agência Estado,

15 de outubro de 2013 | 17h09

As negociações entre democratas e republicanos nos Estados Unidos, em relação ao orçamento e à ampliação do teto da dívida do país, continuaram permeando os negócios em todo o mundo nesta terça-feira, 15. No mercado brasileiro de moedas, isso se traduziu em certa cautela entre os investidores, o que reduziu a liquidez e fez a moeda oscilar em margens contidas.

A moeda americana encerrou o pregão em alta de 0,41%, a R$ 2,1840.

"Todos ainda estão apreensivos com a questão fiscal norte-americana", resumiu profissional de um grande banco ouvido pelo Broadcast. O dólar manteve-se em alta durante todo o dia ante o real, com o mercado também discutindo se o Banco Central irá rolar ou não os contratos de swap que vencem em 1º de novembro.

Na cotação máxima do dia, vista às 9h55, o dólar marcou R$ 2,1890 (+0,64%) e, na mínima, às 12h59, atingiu R$ 2,1770 (+0,09%). O giro financeiro foi bastante contido para uma terça-feira. Perto das 16h30, conforme a clearing de câmbio da BM&FBovespa, ele somava US$ 780,7 milhões, sendo US$ 689,2 milhões em D+2. No mercado futuro, o dólar para novembro subia 0,02%, a R$ 2,1920.

Pela manhã, a expectativa de que o Congresso americano poderia chegar a um acordo para resolver o impasse fiscal - mesmo que momentaneamente - gerava certo otimismo no exterior. Isso favoreceu, por exemplo, a alta das bolsas de ações na Europa, mas o dólar mantinha direções distintas ante moedas de países ligados a commodities. No Brasil, profissionais descreviam um mercado "travado", à espera de novidades dos EUA.

"Em teoria, se sair um acordo nos EUA, deixamos de lado o cenário de catástrofe, de default do país. No curtíssimo prazo, o dólar pode até ganhar força ante o real com isso", comentou o profissional do banco. "Mas no médio prazo, se o mercado entender que pode ser prorrogado o momento de início da redução de estímulos pelo Federal Reserve, isso teria uma pressão de baixa para o dólar", acrescentou.

Nos EUA, durante a tarde, as negociações no Senado foram suspensas enquanto a Câmara trabalha em um projeto separado para resolver a questão fiscal. Os líderes do Senado davam os toques finais em um plano bipartidário que eleva o teto da dívida até 15 de fevereiro. Mas os republicanos da Câmara passaram a considerar uma nova iniciativa, que evita um default, mas acrescenta termos que sofrem a oposição de democratas e da Casa Branca. O presidente dos EUA, Barack Obama, aliás, tinha reunião marcada com os líderes do Congresso na tarde de hoje, justamente para tentar avançar no acordo.

De olho neste cenário, profissionais da área de câmbio continuavam discutindo, nesta terça-feira, a possibilidade de o BC brasileiro não rolar, de forma integral, os contratos de swap que vencem em 1º de novembro. A informação foi dada ontem pelo Broadcast. Na prática, se não rolar todos os contratos, o BC recolhe recursos do sistema, reduzindo um pouco a pressão de baixa mais recente para a moeda americana no Brasil. No entanto, parece claro que o BC deve esperar pelo menos até a próxima quinta-feira - quando o teto da dívida dos EUA será atingido, se não houver acordo entre democratas e republicanos - para adotar uma posição sobre a rolagem. Afinal, ainda haveria tempo suficiente para promover a rolagem nas sessões seguintes, antes do fim do mês.

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