Ingresso externo de US$ 5 bi para ações é recorde desde 47

Banco Central informa que é o melhor resultado para o primeiro trimestre da série histórica iniciada em 1947

Fernando Nakagawa, da, Agência Estado

22 de abril de 2010 | 16h36

Em contraponto ao déficit recorde das contas externas para um primeiro trimestre, o ingresso de dólares para a compra de ações e títulos de renda fixa no Brasil nunca foi tão grande. Dados divulgados nesta quinta-feira pelo Banco Central mostram que estrangeiros aumentaram a posição em ações negociadas no Brasil em US$ 5,023 bilhões no acumulado de janeiro a março, o melhor resultado para o primeiro trimestre da série histórica iniciada em 1947.

Também foi recorde o aumento da posição estrangeira em ações brasileiras na conta que também inclui os recibos desses papéis que são negociados no exterior, como os ADRs. Nesse caso, o trimestre terminou com aumento de US$ 5,270 bilhões, também nova marca histórica.

Na renda fixa, porém, o recorde não foi batido. No trimestre, estrangeiros aumentaram os investimentos em US$ 4,058 bilhões em títulos da dívida brasileira. Esse foi o melhor resultado desde o primeiro trimestre de 2008, quando a elevação havia sido de US$ 8,263 bilhões.

Durante entrevista para apresentar os dados mensais, o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, explicou que o déficit nas contas externas brasileiras será coberto com a ajuda dos recursos que ingressam no País para o investimento em portfólio, como ações e renda fixa, e também com a boa oferta de financiamento externo em papéis e empréstimos diretos que existe atualmente. Por isso, argumenta, não há razões para preocupação sobre a sustentabilidade das contas externas. "No passado, não tínhamos reservas internacionais, tínhamos de pagar o principal e juros da dívida externa e não tínhamos acesso ao financiamento externo. Hoje, a situação é bem diferente", disse Altamir, ao comentar que o funcionamento e o financiamento externo da economia "é bem distinto" do passado.

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