Investidor adota cautela e Bovespa cai

Às 11h50, o Ibovespa registrava desvalorização de 1,01%, aos 64.925 pontos

Beth Moreira, da Agência Estado,

30 de agosto de 2010 | 11h54

Após o rali da última sexta-feira, quando o Ibovespa subiu mais de 2%, investidores voltam a mostrar cautela neste início de semana, período que será marcado por uma agenda econômica carregada. Em dia de giro fraco, Duratex, Fibria e MMX puxam as baixas, enquanto Lojas Renner e Natura lideram as altas.

 

Às 11h50, o Ibovespa registrava desvalorização de 1,01%, aos 64.925 pontos, após alcançar a mínima de 64.685 pontos (+1,37%). O giro financeiro era de R$ 1,19 bilhão, com previsão de R$ 4,56 bilhões para o fechamento. No mesmo momento, o Dow Jones registrava queda de 0,31%, enquanto o S&P 500 caía 0,27%.

 

Segundo operadores, a volatilidade deve ser grande nessa semana. No âmbito interno, as atenções se voltam para a reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), na quarta-feira, que deverá bater o martelo no preço do barril de petróleo que a União vai ceder onerosamente para a Petrobrás no processo de capitalização da estatal. No cenário, internacional, a expectativa recai sobre o payroll norte-americano de agosto, que será divulgado na sexta-feira. No mesmo dia, entra em vigor a nova carteira teórica do Ibovespa.

 

Alguns profissionais acreditam, no entanto, que podemos ver uma melhora no principal índice da Bolsa até quarta-feira, com gestores de fundos tentando melhorar a performance de suas carteiras em agosto. "Final de mês sempre dá uma puxada", lembra um operador.

 

Petrobrás

 

As ações da Petrobrás seguem pesadas, enquanto investidores aguardam novidades sobre o processo de capitalização da estatal, o que impede uma melhora do Ibovespa, visto o peso dos papéis no índice. Há pouco, Petrobrás PN recuava 2%, entre as maiores quedas do Ibovespa, e o ON cedia 1,64%.

 

O CNPE deve apenas referendar o valor do barril da cessão onerosa já definido pelo governo. Na última quinta-feira, fontes disseram à repórter Kelly Lima que o governo já definiu o preço do barril em US$ 8,50. A Petrobrás teria resistido à decisão, segundo as fontes, mas acabou cedendo e concordando com o valor após ver o processo de capitalização ameaçado de adiamento. Técnicos da Agência Nacional do Petróleo (ANP) não cederam completamente e há uma tendência dentro da reguladora a apresentar argumentações nos próximos dias que forcem o governo a aproximar este valor dos US$ 10.

 

Se confirmado o certo do barril a US$ 8,50, a cessão onerosa desta área custará à Petrobrás US$ 38,25 bilhões.

 

Vale e siderúrgicas

 

Vale, outro peso pesado do Ibovespa também opera em queda. O papel PNA da mineradora cai 1,29% e ON cede 1,33%. As siderúrgicas acompanham com Gerdau (-0,71%), Gerdau Metalúrgica (-0,90%), CSN (-0,48%), Usiminas ON (-0,79%) e Usiminas PNA (-1,87%), esta última entre as maiores baixas do Ibovespa.

 

Hoje o presidente da CSN, Benjamin Steinbruch, confirmou que a empresa está concedendo descontos sobre seus estoques de aço a distribuidores na faixa de 5% a 10%. "Já para as compras programadas, o preço continua firme", revelou. O executivo disse ainda que a queda do preço contratual para o minério de ferro para o quarto trimestre será de 8% a 10%. Com essa retração, o preço da tonelada do minério ficará em torno de US$ 140.

 

Duratex e Fibria

 

Duratex recua 2,76% e encabeça a lista de maiores baixas do Ibovespa, seguida por Fibria, com queda de 2,63% e Banco do Brasil, com perdas de 2,19%. Operadores lembram que esses papéis subiram bastante na última sexta-feira e hoje passam por realização de lucros. Também figuram na lista de maiores quedas MMX (-1,98%), ALL (-1,90%), Vivo PN (-1,88%) e Bradesco (-1,71%).

 

Renner

 

Lojas Renner sobe 2,38% e lidera a lista de maiores altas do Ibovespa. Natura vem logo depois com alta de 1,21%. Segundo profissionais do mercado, muitos investidores estão migrando do setor de commodities para papéis de consumo, que seguem ancorados pelo bom desempenho do mercado interno.

 

Também aparecem na lista de maiores altas OGX (+1,37%), Light (+0,99%), TAM (+0,87%), LLX (+0,77%) e Telemar PN (+0,17%). Sobre OGX, especificamente, operadores lembram que a expectativa de que a venda de ativos da companhia seja concluída em outubro. "O papel tem mantido o suporte dos R$ 20,00", lembra um profissional.

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