Investidor deve concentrar-se em dados externos

O mercado financeiro inicia as atividades do novo mês e da semana hoje, às 13 horas, em clima de ressaca e com baixo volume de negócios. O ritmo lento e o meio expediente dos trabalhos, na volta do carnaval, levaram o Banco Central (BC) a suspender o leilão de oferta de contratos de swap cambial reverso hoje. A pesquisa Focus com projeções do mercado para indicadores como inflação, taxa de juros e crescimento da economia, tradicionalmente divulgada pelo BC na segunda-feira, será anunciada ao meio-dia de hoje. Os novos dados sobre a expectativa dos agentes em torno do crescimento econômico serão conhecidos no primeiro dia útil após a divulgação, na sexta-feira, de números que apontaram uma expansão do Produto Interno Bruto (PIB) em 2005 de apenas 2,3%, menos da metade da de 4,9% de 2004. O pífio desempenho da economia, embora amplamente previsto, tende a acirrar as críticas - momentaneamente contidas pela pausa do carnaval - contra os juros altos e alimentar apostas sobre possível aceleração do ritmo de redução da taxa básica pelo Comitê de Política Monetária (Copom) na reunião deste mês. A decepção com o PIB não deve reverter, contudo, o bom humor do mercado financeiro, que tende a manter o tom positivo dos negócios, comenta Rodrigo Boulos, tesoureiro do Banif Investment Bank. A expectativa é que o mercado de ações, principalmente, retome os negócios ajustando o passo ao das Bolsas americanas, que tocaram os pregões na segunda e terça-feira, dias em que os negócios estiveram suspensos no mercado doméstico. A Bolsa de São Paulo fechou sexta-feira com o Índice Bovespa (Ibovespa) em 38.610 pontos, novo recorde em número de pontos. Um indicador externo que pode acentuar a pressão de baixa sobre o preço do dólar é o risco país, em persistente e seguidos recordes de queda nos últimos dias. "A tendência do dólar continua a ser claramente de baixa", prevê Boulos. Em semana apática de indicadores econômicos, o mercado interno pode reagir mais a dados americanos. Dentre os principais, o tesoureiro do Banif Investment Bank aponta, fora o PIB dos EUA no último trimestre de 2005 divulgado ontem, o anúncio, hoje, do PCE de janeiro. Trata-se de um deflator do PIB, considerado uma medida de inflação de preços pagos, a que Alan Greenspan, ex-presidente do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA), dava bastante atenção nas decisões de política monetária. Outro foco de interesse também hoje, segundo Boulos, são os dados sobre o consumo pessoal.

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