Investidor mantém foco nos EUA

O comunicado divulgado pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano) após sua reunião da semana passada aliviou a tensão no mercado financeiro, mas não dissipou totalmente as nuvens no horizonte. Por isso, analistas e investidores continuarão atentos aos indicadores e eventos da economia dos Estados Unidos. Nesta semana, o maior destaque é o depoimento do presidente do Fed, Ben Bernanke, ao Comitê Econômico Conjunto do Congresso, na quarta-feira. Analistas buscarão, nas palavras de Bernanke, pistas sobre a percepção do Fed sobre a economia americana - principalmente sobre o rumo da inflação e as condições de atividade. Do lado dos indicadores, os mais importantes são os que se referem à construção de casas novas em fevereiro (hoje), as encomendas de bens duráveis também em fevereiro (quarta-feira) e os dados relativos a renda e gastos pessoais (sexta-feira). ?O mercado continua acompanhando o mercado imobiliário porque é um segmento onde pode haver algum desconforto nos EUA?, explicou Régis Abreu, diretor da Mercatto Gestão de Recursos. Segundo ele, os investidores também procuram sinais sobre os próximos movimentos dos juros americanos. Abreu projeta que o Fed promoverá duas reduções no segundo semestre, o que levaria a taxa básica para 4,75% ao ano no fim do ano. Na agenda brasileira, há dois eventos importantes. Um deles é a divulgação do relatório trimestral de inflação do Banco Central. A princípio, o documento sai na sexta-feira, mas há possibilidade de que seja anunciado antes. Nele, o BC revela suas expectativas em relação à economia brasileira. Outro dado relevante é o Produto Interno Bruto (PIB) de 2006 calculado conforme a nova metodologia do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número é o único cuja revisão ainda não foi anunciada pelo órgão no período pós-1995. A expectativa dos analistas é de que a expansão seja superior aos 2,9% calculados nas contas antigas. No mercado financeiro, a expectativa de Abreu é de que a volatilidade continuará, ?mas com um viés positivo?. Nesse cenário, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) deve oscilar bastante, mas, se os indicadores vierem em linha com o esperado, deve ter mais uma semana positiva - na anterior, o Ibovespa se valorizou 6,5%. O dólar deve manter a tendência de queda e pode, nas próximas semanas, ficar abaixo dos R$ 2,00. Os juros continuarão se ajustando aos números de inflação que, até agora, têm ficado dentro das expectativas.

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