Investidores embolsam lucro e Bolsa cai 1,35%

Bovespa caiu com a venda de ações depois de três sessões de alta; dados ruins sobre a economia brasileira também pesaram

Fabrício de Castro, O Estado de S. Paulo

23 de janeiro de 2015 | 18h24

Após ter subido por três sessões consecutivas, a Bovespa tinha espaço hoje para recuar, com investidores realizando lucros. Os dados macroeconômicos fracos divulgados no Brasil pela manhã e os receios de que possa haver racionamento de água e de energia, em um momento de economia já em dificuldades, contribuíram para o viés de baixa visto na Bolsa. 

O Ibovespa terminou o dia em baixa de 1,35%, aos 48.775,30 pontos. Na mínima, marcou 48.496 pontos (-1,91%) e, na máxima, 49.523 pontos (+0,16%). Na semana, acumula perda de 0,49% e, no ano, de 2,46%. O giro financeiro foi mais tímido hoje e totalizou R$ 5,606 bilhões.

Realização de lucros foi uma das justificativas apontadas pelos profissionais para a queda de hoje, num movimento natural após as altas das últimas sessões. E ainda mais com um quadro macro delicado, reforçado pelos indicadores divulgados hoje.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15) acelerou de 0,79% em dezembro para 0,89% em janeiro, resultado em linha com a mediana estimada pelos analistas, conforme o AE Projeções, mas mostrou que a inflação segue pressionada. No acumulado de 12 meses pelo IPCA-15, ela está em 6,69% (acima do teto de 6,5% do teto da meta do governo). 

Já o Banco Central informou que o déficit em conta corrente somou US$ 10,317 bilhões em dezembro, encerrando 2014 com resultado negativo de US$ 90,948 bilhões (4,17% do PIB). O total do ano passado representa o novo recorde negativo da série histórica do BC, iniciada em 1947, em um claro sinal de que o País tem dificuldades no setor externo. 

Por fim, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) informou que em dezembro foram fechadas 555.508 vagas formais no País, considerando o saldo líquido, em um resultado pior que as previsões de entre 460 mil e 530 mil vagas encerradas. No acumulado de 2014, foram criados 396.993 empregos formais, mas o resultado é o pior desde o início da série histórica do MTE, em 2002.

Além disso, é crescente a avaliação de que faltará energia, depois do apagão que atingiu dez estados e o Distrito Federal no começo da semana e em meio à crise hídrica que assola principalmente o Sudeste. 

Em meio a estes fatores, as elétricas e as empresas de saneamento terminaram a sessão em baixa, sendo que Sabesp ON liderou as perdas do índice, com -11,65%. Copasa ON terminou em 14,95%. 

Vale também estava entre as baixas do índice, penalizada pela queda dos metais no exterior, pelos dados da China e pelo rebaixamento pelo Goldman Sachs. A ação ON caiu 6,34%. Vale PNA, -5,32%.

Petrobrás terminou em queda, em dia de reunião extraordinária de seu conselho de administração. Os papéis ampliaram as perdas à tarde e ajudaram a pressionar para baixo o Ibovespa no período. A ação ON caiu 2,96% e a PN recuou 2,44%. 

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