Nacho Doce/Reuters
Nacho Doce/Reuters

Investidores fogem do risco e Ibovespa chega a cair 2%

Dados fracos da economia chinesa influenciaram bolsas do mundo todo; no Brasil, cautela é reforçada depois de comentários da agência Fitch

Ana Luísa Westphalen e Renata Pedini, O Estado de S. Paulo

21 de agosto de 2015 | 13h02

SÃO PAULO - O aumento da aversão ao risco no exterior nesta sexta-feira, 21, com novos dados fracos e tombos das bolsas na China, contaminou os negócios na Bovespa. Na primeira meia hora de pregão, a queda das ações era generalizada e o principal índice à vista já era negociado abaixo dos 46 mil pontos. Depois, a abertura no negativo das bolsas de Nova York e um indicador ruim dos Estados Unidos ampliaram as perdas.

Às 12h36, o Ibovespa caía 2,02%, aos 45.708,52 pontos. 

No mesmo horário, Petrobrás PN caía 3,78% e ON, 4,13%. Os papéis refletem também as perdas das commodities no exterior, com o enfraquecimento do setor manufatureiro da segunda maior economia do mundo, conforme mostrou o PMI industrial chinês divulgado mais cedo hoje.

"Vendo as bolsas lá fora dá pra perceber que realmente mudou a tendência do mercado, em Nova York a tendência é mesmo de saída das bolsas. Aqui acaba replicando essa preocupação com China, o mercado está entendendo que a desaceleração será mais forte do que se esperava. Os investidores estrangeiros estão correndo da Bolsa, vendendo muito Petrobrás. Não é só operação financeira, é saída mesmo", comentou um operador de renda variável. 

A cautela também é reforçada por comentários da Fitch sobre o Brasil. Segundo a agência de classificação de risco, a recente revisão para baixo das metas de superávit primário coloca ainda maior pressão sobre o rating brasileiro. 

Nos EUA, o PMI industrial caiu a 52,9 na leitura preliminar de agosto, ante 53,8 em julho. O Dow Jones caía 0,95% e o S&P 500, 0,94% no horário mencionado acima.

Na Europa, o sinal também é negativo e reforçado pela cautela com a Grécia. Dissidentes do partido governista grego, o esquerdista Syriza, deixaram hoje a legenda e formaram um novo movimento de oposição a medidas de austeridade, um dia depois de Alexis Tsipras renunciar como primeiro-ministro e convocar eleições antecipadas para setembro.

Também hoje, o presidente grego, Prokopis Pavlopoulos, concedeu mandato ao líder do principal partido de oposição do país, Evangelos Meimarakis, para a formação de um novo governo. Mas isso não deverá evitar a realização de novas eleições. A Bolsa de Frankfurt fechou em baixa de 2,95%. Atenas terminou a sexta-feira em queda de 2,49%. 

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