Investidores mantêm otimismo e juros fecham em queda

O contrato de depósito interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2008, tradicionalmente o mais negociado na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), terminou o primeiro dia de negócios de 2007 com taxa de 12,31% ao ano. Na quinta-feira, último dia de negócios de 2006, este mesmo contrato projetava taxa de 12,37% ao ano. O mercado de juros teve liquidez reduzida hoje, mas não perdeu o tom positivo que marcou o encerramento de 2006. As taxas futuras recuaram ainda mais, testando novos pisos, acompanhando a alta das bolsas da Europa. O movimento desta terça-feira, no entanto, não pode ser entendido como uma tendência para os próximos dias. Afinal, o mercado norte-americano esteve fechado, devido ao dia de luto em memória do ex-presidente Gerald Ford, que faleceu na semana passada - o que limitou as apostas. Após o feriado de fim de ano, os negócios foram retomados ainda sob o embalo das boas perspectivas de queda da taxa básica de juros do País (Selic) em 2007. Inflação sob controle (ainda que alguns índices tenham mostrado elevações pontuais neste final de ano), projeções em queda dos índices de preço e recuperação lenta da atividade são argumentos fortes para que o mercado aumente as apostas em uma nova redução da Selic em 0,5 ponto em janeiro. A pesquisa Focus, divulgada esta manhã pelo Banco Central, confirmou esse quadro. Foi mantida, por exemplo, a previsão das instituições financeiras consultadas do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 4% em 2007, abaixo do centro da meta de inflação do governo federal, de 4,50%. A expectativa em relação à Selic no fim de janeiro também ficou inalterada: 13%. A saída do secretário do Tesouro Nacional, Carlos Kawall, confirmada na última sexta-feira, com o mercado financeiro em recesso, foi considerada importante, embora não tenha mexido com os preços hoje. Kawall era visto como um dos principais nomes comprometidos com o controle de gastos e sua saída aumentou a preocupação dos operadores com o compromisso do governo com o rigor fiscal. Segundo analistas, o perfil do próximo secretário será um sinal importante sobre a postura do governo neste segundo mandato em relação aos gastos públicos.

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