Investidores observam crescimento de Heloísa Helena

Investidores e analistas estrangeiros começaram nos últimos dias a prestar maior atenção na senadora Heloísa Helena. Por enquanto, o crescimento da candidata do PSOL à Presidência nas pesquisas eleitorais é visto pela maioria com tranqüilidade. Predomina a tese de que a ascensão da senadora terá um fôlego curto, ainda mais após o início da campanha eleitoral gratuita pela televisão, em agosto. Todas as fichas do mercado estão colocadas na reeleição do presidente Lula ou, em menor extensão, numa vitória do candidato tucano, Geraldo Alckmin, ambos vistos como garantia da manutenção de atual política macroeconômica ortodoxa. Mas se a senadora surpreender, ganhando terreno nas próximas pesquisas, os investidores vão começar a reavaliar o risco atribuído às eleições de outubro, que por enquanto é pequeno. O crescimento da senadora nas pesquisas foi mencionado em vários relatórios de bancos estrangeiros nesta semana. O economista Paulo Leme, do banco Goldman Sachs, observou por exemplo em nota para clientes que a candidata do PSOL está subindo nas pesquisas "provavelmente capturando os votos dos descontentes". Ele ressalta algumas declarações recentes da senadora publicadas pela imprensa brasileira. "Ela disse que se ela for eleita, cortaria a Selic pela metade, para estimular o crescimento para 6,5%", observou Leme. "Ela acrescentou: Eu vou enfrentar essas pessoas que negociam nos mercados financeiros, porque elas sabotam o desenvolvimento econômico às custas da miséria e do sofrimento da maioria da população." O diretor de um banco espanhol ironizou "que os mercados ficaram aliviados com a não candidatura do Garotinho, mas agora vão ter que lidar com a Heloísa Helena". Ele, no entanto, ressaltou que até o momento são praticamente inexistentes sinais de preocupações entre os investidores com o fortalecimento de uma candidata cujas idéias colidem de frente com as do mercado. "Mas nos últimos dias, ela passou a ser conhecida e monitorada", disse. "Se ela mostrar nas próximas semanas que estão crescendo de uma forma sustentável nas pesquisas, a preocupação vai aumentar."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.