Investidores pedem taxas maiores em leilão do Tesouro da Espanha

Os prazos mais curtos dos títulos em comparação com os da semana passada também garantiram o sucesso do leilão

Clarissa Mangueira, da Agência Estado,

25 de maio de 2010 | 11h53

A Espanha registrou uma alta acentuada do yield (taxa de retorno) pago pelo país na venda de títulos do tesouro de curto prazo para compensar os riscos detectados pelos investidores e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) na economia e no sistema bancário do país.

A Espanha vendeu 1,062 bilhão de euros em títulos de 3 meses e 2,005 bilhões de euros em títulos de 6 meses, o que dá um total de 3,067 bilhões de euros. A demanda foi de 7,153 bilhões de euros. O Tesouro espanhol tinha planejado vender entre € 2,5 bilhões a € 3,5 bilhões de títulos de 3 e 6 meses.

O yield médio para o T-bill de 6 meses teve de ser elevado para 1,264%, ante 0,736% no leilão comparável de abril. O yield médio do T-bill de 3 meses foi de 0,645%, em comparação com 0,515% no mês anterior.

Os prêmios exorbitantes e as promessas recentes de austeridade fiscal foram suficientes para atrair mais que uma ampla demanda pelo papel. A forte procura desta terça-feira contrasta com o fracasso do Tesouro espanhol na semana passada para vender um volume mínimo previsto no leilão de T-bills de 12 meses e 18 meses.

Além do preço mais elevado, os prazos mais curtos dos títulos em comparação com os da semana passada também ajudaram o leilão, diz Jan von Gerich, analista sênior da Nordea em Helsinque. "Os resultados foram provavelmente ainda um suspiro de alívio para muitos, e mostram que a Espanha ainda pode se financiar, ainda que precise pagar um preço mais elevado pelo seu financiamento", acrescentou o analista.

O FMI publicou na segunda-feira um aviso excepcionalmente duro sobre a economia do país e disse que o governo espanhol precisava de reformas rápidas e radicais para evitar os problemas que têm assolado a Grécia. A análise veio depois que o banco central espanhol assumiu, no fim de semana, o banco estatal de poupança CajaSur, que detém 0,6% dos ativos do sistema bancário.

"A limpeza do sistema bancário espanhol, dentro de um pacote de resgate financiado pelo Estado, também levantará mais dúvidas sobre a sustentabilidade das finanças públicas no longo prazo", afirmaram analistas Danske Bank, em uma nota.

A Espanha tem a maior taxa de desemprego entre os países-membros da zona do euro, em torno de 20%.

Um aumento dos temores sobre a solvência espanhola também contribuíram para a alta do custo da garantia contra a dívida emitida por tomadores soberanos europeus de empréstimo por meio de swaps de default de crédito (CDS).

Após a abertura do mercado, custo da garantia contra a dívida espanhola estava 17 pontos-base maior, em 230 pontos-base, enquanto o nível do custo da garantia contra a dívida de Portugal estava 31 pontos-base mais alto, em 369 pontos-base, de acordo com dados do Markit.

Os CDS são derivativos negociáveis que funcionam como um contrato de seguro contra default de uma dívida. Se um tomador de empréstimo dá default, o comprador de proteção recebe uma compensação do vendedor de proteção. Os compradores do swap podem estar protegendo investimentos ou fazendo apostas baixistas contra companhias ou países.

Refletindo o nervosismo do mercado, o prêmio de risco dos títulos de 10 anos da Espanha sobre os títulos do governo alemão, ou bunds, aumentaram para 1,53 ponto porcentual, ante 1,44 ponto porcentual na segunda-feira - seu nível mais alto desde 7 de março, quando ficaram em 1,68 ponto porcentual.

A negociação do dia 7 de março foi a última antes da União Europeia e o FMI anunciarem seu mecanismo de estabilidade de € 750 bilhões no dia 10 de março, junto com o programa do Banco Central Europeu para comprar uma quantidade não especificada de títulos. As informações são da Dow Jones.

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