Investidores retomam aposta em países emergentes

Após a forte valorização dos ativos brasileiros na semana passada, que foi ancorada numa onda de renovado apetite por risco nos mercados internacionais, uma questão importante agora é tentar saber se esse movimento será sustentável ou até mesmo ampliado. O retorno dos fluxos financeiros poderá fortalecer o real levando-o a um patamar de R$ 2,10 em relação ao dólar e alavancar o índice Bovespa para as cercanias dos 40 mil pontos? O risco Brasil pode cair abaixo dos 200 pontos-base? Analistas de bancos e fundos estrangeiros consultados pela Agência Estado acreditam que, apesar dos recentes ganhos, ainda há espaço para valorização dos ativos brasileiros nas próximas semanas. Mas não há consenso sobre a duração dessa tendência. Para alguns, o cenário benigno externo deve continuar nos próximos meses. Outros, no entanto, alertam que uma nova mudança nas expectativas com a economia mundial não pode ser descartada. Se ela ocorrer, jogaria água fria nessa recuperação. O segundo turno da eleição presidencial brasileira, embora possa gerar alguma volatilidade, não é visto como um fator determinante no humor dos mercados neste momento. O fator crucial continua sendo o comportamento da economia dos Estados Unidos. Henry Stipp, estrategista do fundo Threadneedle, disse que o atual movimento positivo nos mercados foi engrenado pela percepção de que a economia norte-americana está destinada a um "pouso suave", ou seja, uma desaceleração gradual e limitada, que permitirá ao Federal Reserve (o banco central dos EUA) a cortar os juros em 2007. "Com isso, o ciclo de desaquecimento será relativamente pequeno, freando um impacto negativo mais relevante sobre os preços das commodities e os emergentes", disse Stipp. "Os mercados acionários estão ancorando esse movimento positivo, que também é sustentado pelas avaliações benignas para a economia do Japão." Segundo o analista, foi possível observar na semana passada, quando houve uma forte demanda por ativos emergentes, o retorno dos fundos hedge a esses mercados. "Ao que parece, muitos desses fundos mantinham posições curtas nos emergentes desde a volatilidade que atingiu os mercados em meados deste ano e agora estão retornando", disse. O comportamento dos ativos brasileiros nas próximas semanas, observou, dependerá desses fatores técnicos do mercado externo. "Se o sentimento positivo aqui fora continuar, há espaço para mais ganhos do Brasil", disse. "Mas se novos indicadores nos Estados Unidos contrariarem a aposta de pouso suave, poderemos ter volatilidade a frente."

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