Investigação na Itália envolve Brasil Telecom

Como parte das investigações sobre corrupção no grupo Telecom Itália, a Procuradoria de Milão descobriu um suposto suborno de autoridades brasileiras para favorecer a Brasil Telecom, segundo publicou ontem o La Repubblica. Sob o título ?Brasil Telecom, hipótese de corrupção?, o jornal italiano informou que os pagamentos seriam efetuados em contas na Suíça por pessoas ligadas ao grupo italiano e citou nomes de brasileiros que teriam recebido os pagamentos.Segundo os investigadores, de fevereiro a dezembro de 2005 saíram das contas da Telecom Itália depósitos para contas de brasileiros definidos como ?fornecedores? num total de cerca de ? 980 mil. Em 1º de novembro de 2000, começou a investigação sobre a formação de quadrilha na Itália, que envolveria empresários, representantes da polícia e agentes do serviço secreto italiano.Recentemente, os procuradores conseguiram na Justiça mais seis meses de prazo para as investigações. Eles agora investigam a possibilidade de uma rede de corrupção internacional que envolveria pessoas ligadas à Telecom Itália. Suspeita-se que os homens da divisão Security da Telecom, grupo liderado pelo ex-brigadeiro Giuliano Tavaroli - detido em 13 de dezembro - subornou brasileiros.Os documentos se concentraram nas contas de Marco Bernardini, ex-agente do serviço secreto italiano, que era também investigador particular utilizado por Tavaroli. Segundo os investigadores, Bernardini está colaborando com a Justiça.?Nos documentos que chegaram há 15 dias da Suíça, constam depósitos bancários da Telecom Brasil S.A. para a BSA (Business Security Agency), uma companhia de investigações com sede em Londres ligada a Marco Bernardini. Ainda não se sabe a origem do dinheiro, mas os movimentos são comprovados?, disse ao jornal O Estado de S.Paulo Piero Colaprico, jornalista do La Repubblica.Segundo Colaprico, nos documentos constam nomes de brasileiros. Na lista, estão depósitos para Mauro Marcelo. Em maio de 2004, quando era delegado da Polícia Civil de São Paulo, ele foi chamado pela TIM Brasil para fazer uma conferência sobre os crimes de informática e depois de três meses foi promovido a chefe da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Procurado pela reportagem, Marcelo disse: ?Sobre esse assunto, não tenho nada a manifestar?.A investigação apontou ainda nos nomes de Luis Demarco, que também não quis se pronunciar, e de Marcelo Elias de Toledo, advogado em São Paulo, não localizado pela reportagem.

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